O escritor Augusto Cury (Avante) ganhou espaço na disputa pela Presidência da República e apresentou um crescimento especialmente significativo entre as mulheres, segundo pesquisa RealTime Big Data divulgada na última terça-feira (1º). No cenário estimulado com Pablo Marçal (PRTB), Cury passou de 1% para 10% das intenções de voto e assumiu isoladamente a terceira colocação. Quando Marçal é retirado da lista, o escritor chega a 11%.

O avanço é ainda maior quando o recorte considera apenas o eleitorado feminino. Em julho, Cury tinha 2% das intenções de voto entre as mulheres. No levantamento mais recente, alcançou 13% no cenário com Marçal e 15% quando o candidato do PRTB não aparece entre as opções.

Entre os homens, o crescimento também foi registrado, mas em proporção menor. Cury saiu de 0% em julho para 7% na pesquisa divulgada agora.

A diferença entre os dois grupos ganha relevância porque as mulheres representam 53% da amostra entrevistada, enquanto os homens correspondem a 47%. Considerando os percentuais registrados por Cury, aproximadamente 6,9 pontos percentuais de sua intenção de voto total no cenário com Marçal vêm das eleitoras, enquanto cerca de 3,3 pontos são provenientes dos eleitores.

Dessa forma, os números indicam que aproximadamente dois terços, ou 68%, da intenção de voto de Cury nesse cenário estão concentrados entre mulheres. O levantamento, porém, não permite concluir que esse crescimento esteja diretamente relacionado à transferência de votos de outros candidatos.

O avanço do escritor ocorre ao mesmo tempo em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu espaço entre as eleitoras. O senador tinha 29% das intenções de voto nesse segmento em julho e passou para 23% na pesquisa de setembro, uma queda de seis pontos percentuais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também apresentou recuo entre as mulheres, mas em menor proporção. O petista passou de 44% para 42% no período.

Entre os homens, a disputa aparece mais equilibrada entre os dois principais candidatos. Flávio Bolsonaro registra 35%, enquanto Lula aparece com 34%.

No cenário geral com Pablo Marçal, Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%. Augusto Cury aparece em terceiro, com 10%. Na sequência estão Renan Santos (Missão), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Pablo Marçal, com 3%; e Romeu Zema (Novo), com 2%.

Quando Marçal é retirado da lista de candidatos, Cury sobe para 11%. Flávio Bolsonaro passa a 30%, enquanto Renan Santos chega a 7%.

Apesar de os movimentos ocorrerem simultaneamente, a pesquisa não estabelece uma relação direta entre a perda de votos de Flávio Bolsonaro e o crescimento de Cury. Os dados apenas mostram que as mudanças aconteceram no mesmo período, especialmente dentro do eleitorado feminino, que apresentou maior variação nas preferências.

Para o professor de teoria política da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Marco Aurélio Nogueira, o desempenho de Cury pode estar relacionado ao desgaste provocado pela polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. Na avaliação do especialista, uma parcela do eleitorado estaria procurando uma alternativa aos dois principais polos da disputa presidencial.

Nogueira também considera relevante o desempenho de Cury entre as mulheres. Segundo ele, a imagem construída pelo escritor ao longo de sua carreira pode contribuir para a receptividade de sua candidatura nesse segmento.

O professor avalia que Cury estaria reproduzindo, na campanha eleitoral, uma característica associada à sua atuação como escritor: a defesa de uma postura mais moderada e conciliadora. A percepção também é compartilhada pelo professor de história do Mackenzie e analista político Victor Missiato.

Para Missiato, a imagem de moderação apresentada pelo candidato pode atrair eleitores que buscam uma postura considerada mais ponderada diante de questões políticas e problemas do cotidiano. A presença de Cury nas redes sociais também pode estar ajudando a ampliar sua exposição, principalmente em espaços digitais com forte participação feminina.

Mesmo com o crescimento nas pesquisas, os analistas avaliam que Cury ainda precisa ampliar sua presença em outros segmentos do eleitorado para transformar o atual desempenho em uma candidatura competitiva na disputa pelo segundo turno.

Entre os desafios estão a apresentação de propostas mais claras para temas considerados prioritários pelos eleitores. A pesquisa aponta a segurança pública como o principal assunto capaz de influenciar a escolha do voto, citada por 47% dos entrevistados. Saúde aparece em seguida, com 42%, enquanto inflação e custo de vida foram mencionados por 38%.

Na avaliação de Missiato, a forma como Cury pretende se posicionar diante dessas questões será determinante para que consiga avançar além do espaço tradicionalmente ocupado por candidaturas de terceira via.

O próprio candidato atribuiu seu crescimento a um movimento espontâneo do eleitorado. Em entrevista ao SBT News na segunda-feira (31), Cury afirmou que ganhou maior visibilidade após participar do debate promovido pela Band no dia 23.

Segundo o escritor, o contato mais direto dos eleitores com sua personalidade e suas propostas teria contribuído para o aumento de sua intenção de voto. Cury também afirmou que passou a ser alvo de ataques e de informações falsas à medida que começou a apresentar crescimento nas pesquisas.

O candidato declarou ainda que não pretende modificar suas posições para ampliar seu eleitorado e voltou a defender uma alternativa à polarização entre Lula e o bolsonarismo. Ao mesmo tempo, fez críticas à gestão petista, especialmente em relação ao tamanho da máquina pública e aos gastos do governo.

Cury também afirmou que gostaria de enfrentar Lula em um eventual segundo turno.

A pesquisa RealTime Big Data foi realizada entre os dias 27 e 31 de agosto, com 2 mil entrevistados por telefone. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

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