Por Luís Lemos: filósofo, professor e escritor

Dando continuidade à nossa série de entrevistas com filósofos e filósofas de Manaus, apresentamos hoje a cientista política, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Verrah Chamma, que, há treze anos, adotou o Amazonas como sua terra e construiu uma sólida e brilhante trajetória acadêmica dedicada ao ensino, à pesquisa e à Filosofia Política. Nesta entrevista exclusiva, ela compartilha sua trajetória da Ciência Política à Filosofia, apresenta suas pesquisas sobre o Estado e o pensamento de Hegel e reflete sobre o papel da Filosofia na compreensão da liberdade, da política e da vida em sociedade. Leia, reflita e inspire-se com sua trajetória!

1. Quem é você? Conte-nos um pouco sobre sua história de vida, sua formação e sua trajetória na Filosofia. Em qual instituição e em que ano você se graduou em Filosofia?
Eu sou Verrah Chamma, uma brasiliense que adotou o Amazonas como sua terra há treze anos, quando me tornei professora de Filosofia da UFAM. Aliás, é assim que me defino, como uma professora, já que há exatos 30 anos eu comecei a lecionar, e não me vejo fora da sala de aula.

2. Como nasceu o seu interesse pela Filosofia? Houve algum acontecimento, professor, livro, experiência ou autor que tenha despertado em você o desejo de seguir esse caminho intelectual?
Minha paixão pela Filosofia começou na universidade. Eu fazia a graduação em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB) quando tive uma disciplina que me encantou e me transformou profundamente: Teoria Política Moderna. Lá, estudávamos os clássicos do pensamento político da Modernidade, como Hobbes, Locke, Rousseau e Tocqueville. A partir daí, senti que queria me aprofundar mais no pensamento político moderno. Fui até o Departamento de Filosofia da mesma universidade em busca de mais teoria e de discussões mais abstratas e conceituais. Na época, o curso de Ciência Política da UnB tinha pouquíssima teoria política, e por isso percebi que a Filosofia poderia enriquecer minha compreensão da política, indo além das investigações empíricas. Depois de ter cursado quase todo o bacharelado em Filosofia, acabei me formando em Ciência Política. Mas já estava certa de que faria o restante da minha formação em Filosofia, e assim aconteceu. Fiz mestrado em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutorado em Filosofia pela Unicamp.

3. Você possui livros ou outras obras publicadas? Em caso afirmativo, apresente-os brevemente e conte-nos um pouco sobre os temas ou questões que eles abordam.
Tenho publicado principalmente artigos científicos e capítulos de livros nas áreas de Filosofia Política e Teoria Política. Minhas pesquisas concentram-se, sobretudo, nas teorias modernas do Estado, no pensamento político de Hegel, na representação política e democracia, buscando compreender tanto os fundamentos da tradição filosófica moderna quanto os desafios das sociedades contemporâneas. Além da produção acadêmica, coordeno o Gerpp (Grupo de Estudos sobre Representação e Participação Política), espaço de leitura, debate e formação que reúne estudantes e pesquisadores interessados em Filosofia Política. Atualmente, sigo desenvolvendo pesquisas e projetos voltados à relação entre Estado, democracia, representação e participação política, procurando aproximar a reflexão filosófica dos problemas concretos do nosso tempo.

4. Em sua opinião, quais são os maiores desafios enfrentados por quem escolhe a Filosofia como profissão, vocação ou modo de vida?
Os maiores desafios para quem decide estudar filosofia, além do escasso mercado de trabalho, residem na economia da atenção nos dias de hoje. A filosofia exige paciência e dedicação a muitas leituras, muitas delas bastante difíceis e desafiadoras, algo a que os mais jovens nem sempre estão dispostos nessa nossa era digital. Mas eu entendo que não é possível compreender o nosso mundo de hoje e a humanidade que nos tornamos sem fazermos perguntas que são de natureza filosófica, como: O que é o povo?; Como conhecemos?; Que caminhos podemos seguir no futuro?; Quais critérios devo adotar para realizar o bem?; E o que é o mal?; O que é a arte?; Haveria uma lei para a história? Como sempre na filosofia, não há apenas uma resposta para estas e tantas outras questões.

5. Que mensagem você gostaria de deixar aos leitores do Fato Amazônico, especialmente aos que ainda não tiveram a oportunidade de se aproximar da Filosofia?
Por fim, quero dizer aos leitores do portal Fato Amazônico que pensar conceitualmente e abstratamente é uma jornada difícil, mas imensamente enriquecedora de quem nós somos, da nossa própria humanidade. Portanto, não temam e ousem se apropriar das ideias que estão materializadas nos livros de filosofia. Para quem gostar de filosofia política, entre no nosso grupo de estudos, o Gerpp (Grupo de estudos sobre representação e participação política), aberto a todos os interessados. Os encontros são online, a cada quinze dias.

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