
Pelo menos 34 migrantes morreram durante uma tentativa de atravessar a fronteira entre Marrocos e a cidade autônoma espanhola de Ceuta, no norte da África, em meio à maior onda migratória já registrada na região. Segundo o governo da Espanha, cerca de 49 mil pessoas chegaram ao território espanhol por mar e por terra em apenas 24 horas, provocando uma crise sem precedentes na fronteira.
Os corpos das vítimas foram encontrados próximos ao quebra-mar que separa o território marroquino de Ceuta. As autoridades espanholas alertam que o número de mortos pode aumentar à medida que as equipes de resgate prosseguem com as buscas.
A maior parte das mortes ocorreu nas primeiras horas de quinta-feira (30), quando milhares de pessoas tentaram alcançar o enclave espanhol nadando. Mais tarde, outros migrantes passaram a cruzar a fronteira por terra, aproveitando brechas na cerca de proteção e contornando o quebra-mar.
Imagens que mostram milhares de migrantes atravessando a fronteira ganharam grande repercussão nas redes sociais e chamaram a atenção da comunidade internacional para a dimensão da crise.
De acordo com o Departamento de Segurança Nacional da Espanha, com base em informações do Ministério do Interior, aproximadamente 25 mil pessoas retornaram voluntariamente ao Marrocos após a entrada em Ceuta.
A operação de resgate mobilizou agentes da Guarda Civil e equipes do Serviço de Salvamento Marítimo da Espanha. Com as mortes registradas nesta semana, mais de 50 migrantes perderam a vida em 2026 durante tentativas de chegar a Ceuta pelo mar, número que já supera os 46 óbitos contabilizados durante todo o ano de 2025. Somente em julho, 30 pessoas morreram afogadas nessas travessias.
Diante da crise, os governos da Espanha e do Marrocos reforçaram a segurança na passagem fronteiriça de Tarajal. Do lado marroquino, caminhões equipados com canhões de água foram posicionados para impedir novas tentativas de travessia, enquanto militares espanhóis intensificaram o patrulhamento na região.
As autoridades espanholas também anunciaram que pretendem acelerar os processos de expulsão de migrantes que ingressaram irregularmente no país. A medida, porém, enfrenta limitações impostas por uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha, que restringe as devoluções imediatas de pessoas interceptadas no mar a caminho de Ceuta e Melilla.
Entre os migrantes que decidiram retornar voluntariamente ao Marrocos está um jovem identificado apenas como Reda, morador da cidade de Tânger. Em entrevista à agência Reuters, ele descreveu a travessia como traumática e fez um apelo para que outras pessoas não tentem repetir a viagem.
Segundo Reda, além dos riscos enfrentados durante a travessia, a morte de dezenas de pessoas demonstrou o alto grau de perigo da tentativa de chegar à Europa pelo mar.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitou Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo espanhol classificou a situação como a maior crise migratória enfrentada pelo país desde, pelo menos, 2021.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia localizados em solo africano e compartilham fronteira terrestre com o Marrocos. Historicamente, as duas cidades registram frequentes tentativas de entrada irregular de migrantes que buscam acesso ao continente europeu, mas o fluxo registrado nesta semana é considerado o maior já documentado pelas autoridades espanholas.







