O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (31), a segunda fase da Operação Usura, batizada de “Usura 2 – Juros Sobre Juros”, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro que atuaria no Amazonas. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, sendo sete em Manaus e um no município de Benjamin Constant.

A nova ofensiva, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), concentra esforços na coleta de provas sobre uma estrutura organizada voltada à concessão de empréstimos informais com cobrança de juros considerados abusivos e ao uso de contas bancárias de terceiros para ocultar a movimentação financeira dos investigados.

Segundo o MPAM, a investigação ganhou força após uma vítima denunciar que passou a sofrer ameaças, diretas e indiretas, depois de recorrer a empréstimos fora do sistema financeiro convencional e não conseguir quitar a dívida em razão dos altos juros cobrados.

A análise de mensagens, comprovantes de transferências bancárias e outros documentos permitiu identificar indícios da atuação coordenada de pessoas responsáveis pela liberação dos empréstimos, cobrança dos débitos e recebimento dos valores em contas de interpostas pessoas, estratégia que pode caracterizar também o crime de lavagem de capitais.

Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores buscaram apreender celulares, computadores, documentos, contratos, promissórias, comprovantes de movimentações financeiras, dinheiro sem origem comprovada, armas e outros materiais que possam ajudar a identificar novos envolvidos e possíveis vítimas.

O Ministério Público informou que o procedimento segue sob sigilo judicial e ressaltou que todos os investigados têm garantidos os direitos constitucionais, inclusive a presunção de inocência.

Segunda fase amplia investigação iniciada nesta semana

A Operação Usura 2 ocorre apenas quatro dias após a primeira etapa da investigação, deflagrada na última segunda-feira (27), quando o Gaeco revelou a existência de uma organização criminosa suspeita de conceder empréstimos com juros que variavam entre 30% e 70% ao mês, utilizando intimidação psicológica para forçar o pagamento das dívidas. As vítimas identificadas eram, em sua maioria, servidores do Poder Judiciário.

Na primeira fase foram cumpridos dois mandados de prisão, 16 mandados de busca e apreensão e determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias dos investigados. Durante as diligências, foram apreendidos aproximadamente R$ 160 mil em espécie, dois veículos, joias, documentos e aparelhos celulares. Um dos investigados permaneceu foragido à época da operação.

Quem eram os alvos da primeira fase

De acordo com o Ministério Público, a primeira etapa da Operação Usura teve 24 pessoas físicas e jurídicas investigadas. Entre os principais alvos estavam:

  • um policial militar, preso preventivamente antes da deflagração da operação principal;
  • três advogados, cujos escritórios também foram alvo de mandados de busca e apreensão;
  • pessoas apontadas como responsáveis pela concessão dos empréstimos, cobrança das dívidas e movimentação financeira Operação Usura 2: MP amplia investigação contra esquema de agiotagem e cumpre mandados em Manaus e Benjamin Constantdo grupo.

As investigações também alcançaram imóveis localizados nos bairros Japiim, Adrianópolis, Flores, Centro e Ponta Negra, em Manaus. Um escritório de advocacia instalado no edifício The Office, na avenida Mário Ypiranga, esteve entre os locais vistoriados durante a operação.

Com a nova fase da Operação Usura, o MPAM busca aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro do grupo, identificar outros participantes do esquema e ampliar o número de vítimas já identificadas pelas investigações.

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