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Um ataque com drone contra dois navios de gás no porto de Damietta, no norte do Egito, elevou a tensão no Oriente Médio e reforçou as preocupações da comunidade internacional com a segurança da navegação pelo Canal de Suez, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial. O incidente ocorreu na quarta-feira (29), em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

Segundo o governo egípcio, um drone de origem ainda não identificada atingiu duas embarcações atracadas no porto, provocando um incêndio. As autoridades informaram que abriram uma investigação para esclarecer as circunstâncias do ataque e anunciaram o reforço das medidas de segurança nas áreas consideradas estratégicas para o transporte marítimo. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria da ação.

De acordo com fontes do setor marítimo, o principal alvo foi o navio de armazenamento de gás Energos Winter, de propriedade de uma empresa norte-americana. As chamas provocadas pelo impacto também atingiram uma segunda embarcação que estava próxima ao local.

O porto de Damietta está localizado na costa do Mar Mediterrâneo, nas proximidades do Canal de Suez, corredor estratégico que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e concentra uma das maiores movimentações de cargas do planeta.

O ataque aconteceu poucas horas após uma nova troca de ações militares entre Estados Unidos e Irã. Durante a madrugada, forças norte-americanas realizaram bombardeios contra centros de comando militar e instalações de drones da Guarda Revolucionária iraniana.

Em resposta, a Guarda Revolucionária informou ter atacado a base de Azraq, utilizada por tropas dos Estados Unidos na Jordânia. As Forças Armadas jordanianas afirmaram que cinco mísseis lançados pelo Irã foram interceptados antes de atingir seus alvos.

A sequência de ataques aumentou os temores sobre a segurança das principais rotas marítimas do Oriente Médio. O Canal de Suez é responsável por conectar os mercados da Ásia e da Europa e concentra grande parte do transporte global de petróleo, gás natural liquefeito e mercadorias.

Especialistas avaliam que qualquer interrupção na navegação pode provocar atrasos logísticos, elevar os custos do frete marítimo e afetar o abastecimento de energia em diversos países.

A escalada da crise também teve reflexos imediatos no mercado internacional de petróleo. Nos últimos dias, os preços da commodity avançaram diante do receio de novos ataques contra instalações energéticas e rotas de exportação.

Além do episódio em Damietta, as restrições no Estreito de Ormuz e os ataques promovidos por rebeldes houthis contra navios no Mar Vermelho continuam pressionando o mercado e aumentando a preocupação com a oferta mundial de petróleo.

O barril do petróleo Brent, referência internacional para o mercado, atingiu US$ 105,70, alcançando o maior patamar desde o fim de maio e ultrapassando a marca de US$ 100 pela primeira vez desde o início de junho.

Diante do cenário de instabilidade, refinarias asiáticas passaram a buscar carregamentos embarcados pelo porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, enquanto empresas do setor de transporte marítimo estudam o redirecionamento de embarcações para rotas consideradas mais seguras.

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