
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu na segunda-feira, 08, em entrevista concedida à Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, no Palácio da Alvorada, em Brasília, que a recuperação da BR-319 vai sair do papel com responsabilidade ambiental e em comum acordo com os ambientalistas.
Lula foi enfático ao afirmar que a BR-319 precisa ser feita e que ainda este mês pode sair um acordo definitivo que, segundo ele, ponha fim a uma eterna luta.
De acordo com o presidente, que esteve em Manaus nesta terça-feira, 09, para a inauguração da sede do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCIP), bairro Dom Pedro, zona Oeste de Manaus, a obra deverá acontecer após ampla discursão com ambientalistas, com aqueles que precisam da estrada entre Porto Velho e Manaus”, disse Lula.
“Precisamos fazer o Norte se desenvolver sem aquela devastação feita antigamente”, declarou o presidente que, em Manaus, chegou ao CCIP acompanhado do senador Omar Aziz, um dos maiores defensores da pavimentação da rodovia, inaugurada em 1976.
Lula defendeu o binômio equilíbrio entre desenvolvimento e preservação destacando que a pavimentação da BR-319 tem sido tratada com seriedade dentro do governo.
O presidente defendeu, ainda, que as abras da rodovia não devem ser realizadas com pressa e dois meses depois ver o desmatamento, o grileiro criando gado onde não pode manejar, plantando soja onde não pode cultivar. “Temos que manter a floresta intocável para o bem da humanidade inteira”, destacou.
Ainda sobre a BR-319, Lula defendeu a ministra do Meio Ambiente e que a mesma jamais disse que é proibido pavimentar a rodovia. Segundo ele, o que Marina quer é discutir como fazer as coisas sem ameaças ao meio ambiente e seus ecossistemas.
“A realização da obra depende de um pacto conjunto entre União, estados e município, onde o governo federal, estadual e prefeituras assumam a responsabilidade de cuidar Amazônia”, ponderou.
A BR-319 tem 885,9 quilômetros de extensão, sendo 821 km no Amazonas e 64,9 km em Rondônia. É a única ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país e dá acesso a cidades como Humaitá, Lábrea e Manicoré.
Há mais de 30 anos, a BR-319 tem trechos não pavimentados que dificultam o tráfego e causam prejuízos a quem depende da estrada. Impasses e exigências ambientais têm impedido a reconstrução completa da rodovia.
Quanto ao CCPI Amazônia, Lula afirmou que o Centro de Cooperação Policial, criado para combate ao narcotráfico, é uma polícia preparada para atuar com policiais de todos os estados amazônicos e dos países amazônicos da América do Sul no combate ao garimpo ilegal, madeireiros, o tráfico de armas e de drogas e contra o crime organizado.
Sobre o crime organizado, ele disse que o mesmo atua como uma indústria multinacional, que está em tudo que é lugar – no futebol, na justiça, na política, em todas as instituições.
“Fizemos uma operação, a maior da história do Brasil contra o narcotráfico, e fomos chegar aonde? Na Faria Lima. Nós fomos chegar nas Fintechs. Fomos chegar nas empresas de jogos. Tem muita gente envolvida. E é por isso que estamos montando um centro de investigação na Amazônia, para que a gente possa, numa combinação com os outros países e com os nossos governadores, ser mais agressivo no combate ao narcotráfico, com relação ao tráfico de armas, para proteger a floresta”, conclui.
Não vai cortar madeira quem não tiver autorização e não vai garimpar quem não tiver autorização. Esse país tem lei e as pessoas vão ter que aprender a respeitar. Se o Estado estiver ausente, ninguém respeita.







