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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa para a produção mundial de trigo na safra 2026/27 e revisou para baixo a projeção da colheita norte-americana, que deve atingir o menor volume em mais de cinco décadas. Os dados constam no relatório de Oferta e Demanda Agrícola Mundial (WASDE), divulgado nesta sexta-feira (10), que também traz atualizações para os mercados de soja e milho.

Segundo o documento, a produção global de trigo foi revisada de 820,06 milhões para 819,94 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a oferta mundial diminuiu para 1,099 bilhão de toneladas, enquanto o consumo foi elevado para 826,2 milhões de toneladas. Como consequência, os estoques finais recuaram para 272,8 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a estimativa para a safra de trigo caiu para 41,81 milhões de toneladas, o menor volume produzido pelo país desde a temporada 1970/71. A revisão reflete ajustes nas condições de produção e reforça a perspectiva de uma oferta mais restrita no mercado internacional.

Para o Brasil, o USDA manteve a previsão de produção em 6,7 milhões de toneladas e preservou a estimativa de importações em 7,2 milhões de toneladas durante a safra 2026/27.

Já a Argentina, principal fornecedora de trigo ao mercado brasileiro, teve a estimativa de produção mantida em 21 milhões de toneladas. No entanto, a expectativa para as exportações do país foi elevada de 14,5 milhões para 15 milhões de toneladas, indicando maior disponibilidade para o comércio internacional.

Entre os maiores produtores globais, o relatório aumentou as estimativas de produção para Rússia e Ucrânia, favorecidas pelas boas condições das lavouras de inverno. Em contrapartida, a previsão para a safra canadense foi reduzida.

Mesmo com os ajustes, o comércio mundial de trigo deverá alcançar 213,1 milhões de toneladas. O USDA avalia que o aumento das exportações de Argentina, Rússia e Ucrânia será suficiente para compensar a redução das vendas do Canadá.

No mercado da soja, o relatório apresentou poucas mudanças. A estimativa para a produção mundial na safra 2026/27 passou de 442,10 milhões para 441,70 milhões de toneladas, uma redução de apenas 400 mil toneladas.

Segundo o USDA, o pequeno ajuste ocorreu porque o aumento da área cultivada nos Estados Unidos e no Canadá compensou parcialmente a redução da área destinada ao cultivo da oleaginosa na Rússia.

A produção norte-americana de soja foi elevada em quase 2 milhões de toneladas, alcançando 121,79 milhões de toneladas. As projeções para as exportações dos Estados Unidos também cresceram, chegando a 190,31 milhões de toneladas, o que resultou em uma redução dos estoques finais do país.

Na avaliação do órgão, esse cenário tende a manter os preços internacionais da soja próximos dos níveis atuais, sem grandes oscilações no curto prazo.

Para o Brasil, o USDA elevou a previsão de exportações de soja de 117,5 milhões para 118 milhões de toneladas. Em contrapartida, reduziu a estimativa dos estoques finais da oleaginosa, que passaram de 37,39 milhões para 36,89 milhões de toneladas.

O relatório também trouxe atualizações para o mercado de milho. A produção mundial foi mantida em aproximadamente 1,98 bilhão de toneladas, sem alterações nas estimativas das safras dos Estados Unidos e do Brasil.

Apesar da estabilidade na produção, o USDA reduziu em 6 milhões de toneladas a previsão para os estoques finais globais de milho na temporada 2026/27, que passaram a ser estimados em 275,26 milhões de toneladas.

Segundo analistas, a redução dos estoques, combinada com o aumento do comércio internacional do cereal, pode oferecer sustentação aos preços do milho negociados na Bolsa de Chicago nos próximos meses, especialmente se houver novas revisões na oferta durante o desenvolvimento da safra no Hemisfério Norte.

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