Reuters/Eli Hartman/File Photo

A produção mundial de petróleo voltou a crescer em junho e alcançou 98,8 milhões de barris por dia, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (10) pela Agência Internacional de Energia (IEA). O aumento foi de 4,1 milhões de barris diários em relação ao mês anterior, impulsionado principalmente pela retomada parcial das exportações na região do Golfo Pérsico. Apesar da recuperação, a oferta global ainda permanece cerca de 9,4 milhões de barris por dia abaixo do nível registrado antes do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Além do avanço na produção, a IEA destacou que o mercado continua enfrentando um cenário de incertezas provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. A agência avalia que a evolução da guerra continuará sendo determinante para o comportamento dos preços, da oferta e da demanda mundial de petróleo nos próximos meses.

O relatório também projeta uma mudança significativa no consumo global. Segundo a IEA, a demanda por petróleo deverá registrar, em 2026, a primeira queda anual desde a pandemia de Covid-19. A expectativa é de redução média de 1 milhão de barris por dia ao longo do ano, após o consumo atingir seu nível mais baixo em maio.

Mesmo com a previsão de retração anual, a agência observa que a demanda começou a mostrar sinais de recuperação nas últimas semanas. O movimento foi favorecido pelo aumento do consumo de combustíveis durante o verão no hemisfério norte e pela normalização gradual do abastecimento durante a trégua firmada entre Estados Unidos e Irã em meados de junho.

De acordo com a IEA, a intensidade da queda no consumo deve diminuir ao longo dos próximos meses. A contração estimada de 4,8 milhões de barris por dia registrada no segundo trimestre deverá recuar para 1,7 milhão no terceiro trimestre. Já no último trimestre de 2026, a expectativa é de que a demanda volte a crescer, com expansão de 1,2 milhão de barris por dia em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A recuperação mais consistente, no entanto, só deverá ocorrer em 2027. Para esse período, a agência projeta um aumento de aproximadamente 2 milhões de barris diários na demanda global. Ainda assim, o crescimento previsto para os próximos dois anos continuará abaixo da média histórica observada antes das recentes crises internacionais.

Segundo o relatório, a volatilidade do mercado segue diretamente ligada ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e outros países do Oriente Médio. O cessar-fogo temporário firmado em junho permitiu a retomada parcial da navegação e do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, contribuindo para a redução dos preços internacionais do petróleo durante aquele período.

O barril do petróleo Brent, referência internacional negociada no Mar do Norte, chegou a ser cotado em cerca de US$ 68, valor inferior ao registrado antes do início da guerra. No entanto, a retomada dos confrontos nos dias 7 e 8 de julho provocou nova alta das cotações, levando o preço para aproximadamente US$ 77 por barril.

A IEA alerta que a continuidade da recuperação dependerá da normalização definitiva do tráfego marítimo na região do Golfo. Caso as tensões persistam, o cenário de superávit de petróleo esperado para o fim de 2026 poderá não se concretizar.

O relatório aponta ainda que, embora a oferta de petróleo bruto tenha aumentado, o mercado de combustíveis refinados continua enfrentando dificuldades. Refinarias exportadoras do Oriente Médio ainda operam abaixo da capacidade total, enquanto ataques contra instalações russas reduziram o volume de refino no país, afetando principalmente a oferta de diesel e gasolina.

Como consequência desse desequilíbrio entre produção e refino, as margens de lucro das refinarias atingiram, no início de julho, os níveis mais elevados dos últimos quatro anos.

Outro dado destacado pela Agência Internacional de Energia foi o aumento dos estoques globais de petróleo em junho, o primeiro crescimento registrado em quatro meses. O avanço ocorreu principalmente devido ao maior volume de petróleo armazenado em navios, enquanto os estoques em terra continuaram apresentando queda.

Para a IEA, a estabilização definitiva do mercado internacional dependerá da redução duradoura das tensões no Oriente Médio. Enquanto não houver um acordo capaz de garantir segurança permanente para a navegação e para a produção na região, o setor continuará sujeito a oscilações de preços e riscos para o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Artigo anteriorEquipes brasileiras retornam de missão na Venezuela
Próximo artigoComércio faz saldão após queda do Brasil na Copa do Mundo