Haitham Imad/EFE

O Hamas afirmou nesta sexta-feira (31) que está disposto a entregar suas armas como parte de um acordo para colocar fim ao conflito na Faixa de Gaza. A organização, porém, condicionou o desarmamento à retirada das tropas israelenses do território e ao cumprimento das demais etapas previstas no plano de cessar-fogo.

A declaração representa um dos principais pontos de disputa nas negociações para uma trégua definitiva. Enquanto o Hamas afirma que aceitará abrir mão do controle militar caso Israel cumpra os compromissos estabelecidos, o governo israelense defende que o grupo deve ser desarmado como condição essencial para o encerramento da guerra.

Israel afirma que não aceitará um acordo sem a entrega efetiva das armas pelo Hamas. Para as autoridades israelenses, o fim do conflito depende da eliminação da capacidade militar do grupo. Já o Hamas sustenta que qualquer processo de desarmamento deve ocorrer apenas após a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza e a implementação das garantias previstas no acordo.

Além do desarmamento, outros pontos ainda permanecem sem consenso entre as partes, como o futuro governo de Gaza após a guerra, o papel de grupos palestinos na administração do território e as garantias de segurança durante o período de transição.

O plano apresentado prevê que a entrega das armas ocorra de maneira gradual, dividida em diferentes fases e acompanhada por um Comitê Internacional de Verificação (IVC). O avanço de cada etapa dependeria do cumprimento das obrigações assumidas tanto pelo Hamas quanto por Israel, incluindo uma retirada progressiva das tropas israelenses.

Entre as medidas previstas estão a desativação de armas pesadas, o encerramento de estruturas utilizadas para produção militar, a entrega de depósitos de armamentos e a eliminação dos túneis usados pelo grupo armado.

O acordo estabelece como princípio a ideia de “Uma Autoridade, Uma Lei, Uma Arma”, indicando que apenas uma nova administração palestina teria autorização para controlar a segurança e manter armamentos dentro da Faixa de Gaza.

Ao final do processo, apenas o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado para conduzir o território durante a fase de transição, poderia armazenar e administrar armas. O acompanhamento seria feito pelo Comitê Internacional de Verificação, com apoio de uma Força Internacional de Estabilização.

Essa força teria como funções monitorar o cessar-fogo, garantir a segurança da distribuição de ajuda humanitária e auxiliar na formação de uma polícia palestina responsável pela segurança local.

O anúncio do plano foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira (30), após meses de negociações para tentar preservar o acordo de cessar-fogo firmado anteriormente. Apesar da sinalização do Hamas, ainda não há confirmação de que Israel aceitará todos os termos apresentados.

Segundo uma autoridade do grupo ouvida pela Reuters, a implementação depende inicialmente do cumprimento, por parte de Israel, dos compromissos assumidos, incluindo a redução das operações militares e a retirada gradual das tropas da Faixa de Gaza.

Futuro governo de Gaza

O plano também prevê que o Hamas deixe de administrar a Faixa de Gaza após o fim da guerra. A proposta indica que o território seria comandado por um comitê tecnocrático palestino formado por especialistas sem ligação direta com facções políticas.

Esse grupo teria a responsabilidade de administrar serviços públicos, coordenar a reconstrução da região e conduzir a gestão civil durante o período de transição.

O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) assumiria funções administrativas e de segurança, sem participação do Hamas ou de outros grupos armados palestinos na tomada de decisões.

Apesar dos avanços nas negociações, o acordo ainda enfrenta obstáculos para sair do papel. Israel não confirmou oficialmente sua adesão ao plano, enquanto o Hamas mantém a posição de que o desarmamento só ocorrerá após o cumprimento das condições relacionadas à retirada israelense e ao cessar-fogo.

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