Após a repercussão do caso, o prefeito Thiago Lima pediu desculpas à ex-Miss Paula Francineth e negou ter ordenado que ela fosse impedida de participar da coroação. A modelo afirma que foi barrada após cobrar a falta de água em Itapiranga.

O prefeito de Itapiranga, Thiago Lima (MDB), veio a público na manhã desta segunda-feira (27) para pedir desculpas à ex-Miss Itapiranga Paula Silva Francineth, após a repercussão da denúncia de que ela teria sido impedida de participar da cerimônia de coroação da sucessora por ter criticado a falta de abastecimento de água no bairro onde mora. Embora tenha negado qualquer participação na decisão, o gestor assumiu a responsabilidade política pelo episódio e afirmou que a medida adotada pela coordenação do concurso “não condiz” com a postura que ele teria como prefeito.

A manifestação ocorreu dois dias após Paula divulgar um vídeo nas redes sociais afirmando que foi impedida de cumprir a tradição de entregar a faixa e a coroa à Miss 2026. Segundo ela, a restrição ocorreu depois que publicou uma cobrança sobre a falta de água no município e, além disso, o vestido que utilizaria na cerimônia teria sido recolhido por determinação da Prefeitura.

No vídeo divulgado nesta segunda-feira, Thiago Lima negou que tenha dado qualquer ordem para impedir a participação da ex-Miss ou para retirar seu vestido.

“Não partiu de mim a ordem de retirar vestido de alguém, nem tampouco de impedir alguma candidata de subir ao palco, principalmente motivado por críticas à gestão ou algo do tipo”, afirmou.

O prefeito destacou que convive com críticas desde o início da gestão e afirmou nunca ter perseguido moradores por opiniões contrárias à administração municipal.

Segundo ele, a organização do concurso é conduzida por uma comissão específica, responsável pelas decisões relacionadas ao evento. Thiago afirmou que, devido à programação intensa das festividades de aniversário da cidade, não teve conhecimento do caso antes da repercussão pública.

“A coordenação do Miss, infelizmente, tomou uma atitude que não condiz com a atitude que eu tomaria”, declarou.

Apesar de negar envolvimento direto, o prefeito reconheceu que a responsabilidade administrativa é da gestão municipal.

“Apesar de não ter dado a ordem, apesar de não ter tomado o vestido de ninguém, eu reitero esse pedido de desculpas porque a gente coloca pessoas de confiança em certos cargos e, muitas vezes, as opiniões não são as mesmas”, disse.

Thiago Lima também revelou que aguardou até esta segunda-feira para se pronunciar porque buscava apurar internamente o ocorrido antes de fazer qualquer declaração pública. Ele afirmou ainda que ele e sua família passaram a receber ameaças após a repercussão do caso nas redes sociais.

“Passei o sábado e o domingo recebendo ameaças. Minha esposa e meus filhos também receberam ameaças por pessoas que sequer conhecemos”, afirmou.

Miss diz que foi barrada após cobrar falta de água

A versão apresentada por Paula Francineth é diferente da defendida pelo prefeito. A ex-Miss sustenta que foi comunicada pela organização de que não participaria da cerimônia depois de publicar nas redes sociais uma cobrança sobre a falta de abastecimento de água no bairro onde mora.

Em vídeo divulgado antes do concurso, Paula afirmou que queria apenas cumprir a tradição do concurso e entregar a faixa e a coroa à nova representante de Itapiranga.

“Eu gostaria muito de ir lá hoje fazer o meu papel, porque é o meu direito. Assim como todas as misses fizeram nos anos anteriores, eu também queria entregar a coroa e a faixa para a nova Miss”, declarou.

Ela também fez um apelo público ao prefeito para que reconsiderasse a decisão.

“Peço que Deus toque no coração do prefeito e ele repense esse caso. Eu peço desculpas pelo que aconteceu, que não foi minha intenção, mas gostaria de fazer aquilo que é meu direito”, afirmou.

Falta de água permanece sem resposta

Embora tenha pedido desculpas pelo episódio envolvendo a ex-Miss, o prefeito não abordou, durante sua manifestação, o problema da falta de abastecimento de água que motivou a reclamação feita por Paula nas redes sociais.

O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais após a ex-Miss associar sua exclusão do evento à crítica feita sobre o serviço público. A declaração do prefeito busca afastar a acusação de perseguição política, mas mantém em aberto o questionamento sobre quem determinou o impedimento e quais critérios foram utilizados pela organização do concurso.

Até o momento, a Prefeitura de Itapiranga não informou se haverá apuração interna para identificar os responsáveis pela decisão que impediu a participação da ex-Miss na cerimônia de coroação.

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