
A Arábia Saudita realizou, na noite desta sexta-feira (24), uma série de ataques aéreos contra Hodeida, importante cidade portuária do Iêmen controlada pelos houthis. A ofensiva marca um novo agravamento das tensões no Oriente Médio, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, e ocorre poucos dias após ataques do grupo insurgente a embarcações sauditas no mar Vermelho.
Segundo a emissora Al Jazeera, citando informações do canal Al-Masirah, ligado aos houthis, os bombardeios atingiram instalações da autoridade de telecomunicações em Hodeida e também tiveram como alvo a ilha de Kamaran, localizada no mar Vermelho. Após os ataques, autoridades ligadas ao grupo rebelde afirmaram que a ação terá consequências para a Arábia Saudita e sinalizaram uma possível resposta militar.
A ofensiva acontece poucos dias depois de os houthis reivindicarem ataques contra dois petroleiros sauditas que navegavam pelo mar Vermelho. O grupo alegou que as embarcações descumpriram o bloqueio marítimo anunciado contra navios ligados ao governo saudita.
O bloqueio havia sido decretado em 20 de julho como resposta ao ataque contra o Aeroporto Internacional de Sanaa, atribuído pelos houthis à Arábia Saudita. Na ocasião, o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, declarou que o episódio encerrava a fase de desescalada mantida entre as partes desde 2022.
Embora nunca tenha sido formalmente oficializada, essa trégua reduziu significativamente os confrontos após anos de guerra civil. O conflito no Iêmen se intensificou em 2015, quando uma coalizão liderada pela Arábia Saudita passou a apoiar militarmente o governo reconhecido internacionalmente contra os houthis, que controlam grande parte do norte do país.
Hodeida ocupa posição estratégica por abrigar um dos principais portos do Iêmen, responsável pela entrada de grande parte das importações comerciais e da ajuda humanitária destinada às regiões sob controle dos houthis. Por esse motivo, novos ataques à cidade aumentam a preocupação da comunidade internacional com o risco de agravamento da crise humanitária enfrentada pela população iemenita.







