Pelo menos 73 pessoas ficaram feridas nesta terça-feira (8) após uma série de ataques atribuídos aos houthis contra áreas do sudoeste da Arábia Saudita. O grupo rebelde, apoiado pelo Irã e atuante no Iêmen, atingiu instalações consideradas civis e econômicas, incluindo estruturas ligadas à petrolífera Saudi Aramco. A ofensiva aumenta a tensão na região e ocorre em meio à intensificação dos confrontos no território iemenita.

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo reconhecido internacionalmente do Iêmen, condenou os ataques e classificou a ofensiva como uma “perigosa escalada”. Em comunicado, as forças sauditas acusaram os houthis de manter uma postura hostil e irresponsável e afirmaram que serão adotadas medidas para responder à ameaça.

Segundo a coalizão, os ataques representam uma violação da soberania saudita e colocam em risco a segurança de cidadãos e moradores do país. As forças conjuntas também afirmaram que pretendem agir para impedir novas ofensivas e neutralizar os riscos provocados pelo grupo.

A Arábia Saudita declarou que está preparada para tomar “todas as medidas e ações necessárias” contra a origem dos ataques. A declaração reforça a possibilidade de uma resposta militar diante da escalada das hostilidades entre os sauditas e os rebeldes que controlam parte do território do Iêmen.

Os ataques desta terça-feira acontecem um dia depois de os houthis acusarem a Arábia Saudita de realizar bombardeios contra diferentes áreas do Iêmen. De acordo com a agência de notícias Saba, ligada aos rebeldes, uma das ofensivas teria atingido a prisão de Al Hazm, na província de Jawf, deixando 11 mortos.

A troca de acusações ocorre em um momento de aumento das operações militares na região. O cenário envolve não apenas o conflito interno do Iêmen, mas também a disputa mais ampla entre Estados Unidos e Irã, que vem ampliando os riscos de uma expansão das hostilidades no Oriente Médio.

Os houthis são um dos principais grupos envolvidos na guerra civil iemenita e recebem apoio do governo iraniano. Nos últimos anos, a milícia passou a ampliar suas ações para além das fronteiras do Iêmen, especialmente por meio de ataques contra embarcações e alvos ligados a países considerados adversários.

O Iêmen voltou a registrar uma intensificação dos confrontos em julho, quando uma nova frente de tensão ligada à disputa entre Estados Unidos e Irã passou a afetar diretamente a região. Os houthis mantêm influência sobre áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo.

O estreito conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e integra uma das principais rotas utilizadas pelo transporte internacional de mercadorias e petróleo. A posição estratégica da região faz com que qualquer aumento das hostilidades possa provocar impactos que ultrapassem as fronteiras do Iêmen e da Arábia Saudita.

Os houthis já ameaçaram bloquear a passagem marítima em apoio ao Irã. A estratégia está relacionada à disputa envolvendo outro ponto de importância estratégica, o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico. A passagem é considerada fundamental para o comércio mundial de energia, já que uma parcela significativa do petróleo produzido no planeta passa pela região.

O grupo rebelde afirma que suas ações fazem parte de uma estratégia de pressão contra os adversários do Irã. O aumento dos ataques, porém, eleva o risco de uma reação militar mais ampla por parte da Arábia Saudita e de seus aliados.

A preocupação também envolve a infraestrutura energética saudita. A Saudi Aramco é uma das maiores empresas de petróleo do mundo, e instalações relacionadas à companhia já foram alvo de ataques em episódios anteriores. Qualquer dano significativo à produção ou ao transporte de petróleo pode provocar consequências sobre os mercados internacionais de energia.

A nova ofensiva, portanto, ocorre em um contexto de elevada tensão militar e geopolítica no Oriente Médio. Com dezenas de pessoas feridas e instalações civis e econômicas atingidas, os ataques contra a Arábia Saudita representam mais um capítulo da escalada envolvendo os houthis, o governo saudita e a disputa regional entre Irã e seus adversários.

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