
Por Joilson Souza
Depois de 34 anos no chão da sala de aula, aprendi que existem coisas que só quem vive diariamente a escola consegue compreender.
Não defendo a escola autoritária do passado. Defendo, porém, algo que considero indispensável: a autoridade pedagógica do professor.
Hoje, muitos professores enfrentam salas com alunos em diferentes níveis de aprendizagem, inclusão sem o suporte necessário, indisciplina e pouca participação familiar. E, mesmo diante dessa realidade, precisam cumprir metas e lidar com decisões que nem sempre consideram aquilo que observam diariamente.
É aqui que faço uma pergunta incômoda:
De que vale a avaliação do professor se sua experiência não é considerada na decisão sobre o aluno?
Não sou defensor da reprovação como solução. Reprovar sem oferecer condições de recuperação também não resolve. Mas existe uma diferença enorme entre aprovar e aprender.
Quando o aluno avança de série sem dominar conhecimentos essenciais, o problema não desaparece. Apenas chega à próxima sala — e outro professor recebe a responsabilidade de tentar recuperar aquilo que ficou para trás.
Professor não é operador de números.
Professor trabalha com pessoas.
Precisamos de inclusão, mas com suporte. Precisamos de avaliação, mas com responsabilidade. Precisamos respeitar os direitos dos alunos, mas também respeitar a experiência profissional de quem ensina.
Depois de 34 anos, minha provocação é simples:
Estamos realmente preocupados com a aprendizagem ou apenas com os índices de aprovação?
Porque uma escola pode apresentar excelentes números no papel e, ainda assim, deixar muitos alunos pelo caminho.
Aprovar é avançar. Aprender é transformar.






