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Documentos diplomáticos do Arquivo Nacional revelam que Brasil e Japão trabalharam em conjunto para evitar um possível atentado contra o então príncipe herdeiro japonês Akihito durante sua visita oficial ao Brasil, em 1978. O receio das autoridades estava relacionado às atividades do Exército Vermelho Japonês (EVJ), organização extremista de esquerda que atuava em diversos países naquele período.

As preocupações surgiram meses antes da viagem. Em telegramas enviados ao Itamaraty, diplomatas brasileiros em Tóquio relataram que autoridades japonesas temiam que a visita do príncipe pudesse servir de motivação para ações do grupo contra a família imperial.

Representantes da Embaixada do Japão se reuniram com autoridades brasileiras e especialistas em segurança para discutir medidas preventivas. O governo japonês enviou ao Brasil listas com nomes, fotografias e descrições de supostos integrantes do Exército Vermelho Japonês, enquanto o Itamaraty concordou em compartilhar informações sobre vistos concedidos a cidadãos japoneses durante o período da viagem.

Cooperação diplomática e monitoramento

As autoridades japonesas também solicitaram um controle mais rigoroso da entrada de estrangeiros no Brasil, com o objetivo de impedir a possível infiltração de integrantes do grupo. Especialistas japoneses em segurança chegaram a trabalhar em conjunto com órgãos brasileiros, incluindo o antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Apesar dos receios, a visita de Akihito e da princesa Michiko ocorreu sem incidentes. O casal participou das comemorações dos 70 anos da imigração japonesa no Brasil e cumpriu agendas oficiais em Brasília, São Paulo e no Paraná.

Um histórico de alertas

A troca de informações entre os dois países sobre o Exército Vermelho Japonês já acontecia desde meados da década de 1970. Embaixadas brasileiras em diversos países recebiam e repassavam relatórios sobre a atuação da organização em diferentes regiões do mundo.

Esse intercâmbio de informações chegou a provocar um caso de engano em 1975, quando o japonês Tetsuo Kinoshita foi preso em São Paulo após ser confundido com um integrante do grupo. Dias depois, a própria Embaixada do Japão informou que ele não possuía qualquer ligação com atividades terroristas, e sua repatriação foi solicitada.

O Exército Vermelho Japonês foi uma organização de extrema-esquerda fundada em 1971, responsável por atentados e ações armadas em diversos países. O grupo perdeu força na década de 1990 e foi oficialmente dissolvido em 2001.

Com informações de Metrópoles

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