
A intensa onda de calor que atinge a França provocou um aumento expressivo nas chamadas aos serviços de emergência e elevou o estado de alerta das autoridades de saúde. Hospitais e equipes médicas se preparam para uma possível alta na procura por atendimento nos próximos dias, especialmente entre idosos e pacientes com doenças crônicas.
Segundo a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, o volume de ligações para os serviços de emergência aumentou entre 20% e 30%, dependendo da região.
Aumento das chamadas médicas
Embora muitas das ligações não resultem em internações, os profissionais de saúde relatam um crescimento significativo nos pedidos de orientação médica, casos de mal-estar, ansiedade e atendimentos realizados por equipes móveis.
As autoridades afirmam que os efeitos mais graves das ondas de calor costumam aparecer alguns dias após o início das temperaturas extremas.
“Continuamos vigilantes porque sabemos que o impacto da onda de calor tende a ser sentido entre cinco e dez dias após o seu início”, afirmou a ministra Stéphanie Rist.
Hospitais permanecem em alerta
O sistema francês Samu-SAS, responsável pela integração entre emergências e atenção básica, tem conseguido filtrar os casos e encaminhar aos hospitais apenas os pacientes que realmente necessitam de atendimento urgente.
Segundo especialistas, essa estratégia ajuda a evitar a sobrecarga dos prontos-socorros.
Até o momento, os serviços de emergência ainda não registraram um aumento significativo no atendimento de pessoas acima de 75 anos, mas os profissionais acreditam que esse cenário pode mudar nos próximos dias.
Riscos à saúde aumentam
De acordo com os médicos, o organismo consegue inicialmente resistir às temperaturas elevadas, mas o calor prolongado pode provocar diversas complicações.
Entre os principais riscos estão:
- Descompensação de transtornos psiquiátricos;
- Agravamento do diabetes;
- Insuficiência cardíaca;
- Insuficiência renal;
- Desidratação;
- Insolação;
- Aumento do risco de afogamentos.
Especialistas alertam que idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis durante períodos de calor extremo.
Recordes de temperatura
A França registrou a maior temperatura média já observada em um mês de junho, atingindo 29,2°C em média nacional.
Diversas cidades bateram recordes históricos de calor, especialmente no oeste do país. Em localidades como Rennes, Angers e Bordeaux, os termômetros ultrapassaram os 40°C.
As autoridades meteorológicas colocaram dezenas de departamentos em alerta máximo.
Mortes associadas ao calor
Os efeitos da onda de calor já começam a aparecer nas estatísticas de mortalidade.
Na cidade de Carpentras, no sul da França, duas crianças, de 2 e 4 anos, foram encontradas mortas dentro de um automóvel estacionado. As autoridades investigam o caso, mas a exposição às altas temperaturas é considerada a principal hipótese.
Além disso, os serviços de proteção civil registraram 13 mortes por afogamento durante o fim de semana.
Mudanças climáticas e eventos extremos
Um estudo científico divulgado recentemente concluiu que a onda de calor que atinge a França e outras regiões da Europa foi significativamente agravada pelas mudanças climáticas causadas pelas atividades humanas.
Segundo os pesquisadores, sem a influência do aquecimento global, as temperaturas registradas atualmente poderiam estar entre 2°C e 4°C mais baixas.
Os cientistas alertam que eventos extremos de calor tendem a se tornar mais frequentes, intensos e prolongados nas próximas décadas, aumentando os desafios para os sistemas de saúde e para a adaptação das cidades às novas condições climáticas.
Com informações de Metrópoles







