REUTERS/Evelyn Hockstein

O Brasil foi o país mais impactado pelo novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos, segundo análise publicada pelo jornal Financial Times. De acordo com o levantamento, a tarifa efetiva cobrada sobre produtos brasileiros passou de 11% para 17,7%, um aumento de 6,7 pontos percentuais, o maior registrado entre os parceiros comerciais atingidos pelas novas medidas do governo de Donald Trump.

As tarifas adicionais, que variam entre 10% e 12,5%, começaram a valer nesta sexta-feira (24) para produtos importados de 60 países. Elas substituem a sobretaxa global provisória de 10% e foram aplicadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo Washington, os países afetados não estariam adotando medidas suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No caso brasileiro, a tarifa extra foi fixada em 12,5%.

Levantamento da organização independente Global Trade Alert aponta que o Brasil foi particularmente prejudicado porque a nova cobrança foi acumulada a outras tarifas impostas pelos Estados Unidos neste mês. Além do Brasil, países como China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia também registraram aumento nas tarifas efetivas, embora em menor intensidade, entre 0,5 e 1 ponto percentual.

Enquanto isso, diversos países europeus tiveram redução na carga tarifária. Bélgica, Espanha e Itália aparecem entre os maiores beneficiados pela reformulação das regras comerciais, com queda de até 1,5 ponto percentual nas tarifas efetivas. A União Europeia também conseguiu evitar que a nova alíquota de 10% fosse somada a algumas taxas já existentes, diferentemente do modelo provisório adotado anteriormente.

Segundo Johannes Fritz, diretor executivo da Global Trade Alert, o perfil das exportações europeias ajudou a reduzir os impactos. Produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa ficaram isentos das novas tarifas, enquanto itens como calçados, roupas e bolsas passaram a enfrentar alíquotas menores em países como Itália e Espanha.

Apesar do cenário mais favorável para a Europa, especialistas avaliam que a situação pode mudar. Os Estados Unidos conduzem uma investigação sobre excesso de produção industrial e, caso novas tarifas sejam impostas acima do limite de 15%, a União Europeia poderá retaliar cerca de 93 bilhões de euros em exportações norte-americanas, atingindo produtos como automóveis, uísque bourbon e soja.

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