Isabelle Saleme/SBT News

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 já provoca reflexos no comércio da tradicional Rua 25 de Março, em São Paulo. Com a queda na procura por produtos ligados ao Mundial, comerciantes passaram a reduzir os preços de camisas, bandeiras e acessórios para tentar escoar os estoques.

Quem ainda procura itens da seleção consegue encontrar promoções. O autônomo Waldir Soares aproveitou a baixa nos preços para comprar uma camisa azul do Brasil. Segundo ele, a peça será dada de presente e o desconto foi determinante para a compra.

Entre os vendedores, o cenário é de adaptação. O ambulante Anderson Marinho contou que uma camisa da Seleção, que antes era vendida por R$ 120 durante o período de maior procura, agora custa apenas R$ 40. Mesmo com a redução, a demanda caiu significativamente após a derrota para a Noruega.

Além das camisas, outros produtos típicos da torcida também perderam espaço. Kits com bandeiras, óculos, cornetas e demais acessórios deixaram de despertar interesse dos consumidores e passaram a encalhar nas bancas.

“A gente vai ter que mandar esses produtos para o estoque e pegar outras mercadorias para colocar na banca e voltar a vender. Só o que tem procura ainda são as figurinhas”, afirmou o comerciante.

Apesar da queda nas vendas após a eliminação da seleção, a União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco25) avalia que o impacto financeiro não foi tão expressivo. Segundo a entidade, o comércio registrou crescimento de aproximadamente 12% nas vendas antes mesmo do início da Copa do Mundo.

De acordo com a diretora-executiva da Univinco25, Claudia Urias, o bom desempenho foi impulsionado pelo período das festas juninas, que tradicionalmente aumenta o movimento na região. A expectativa era de que uma campanha mais longa da Seleção Brasileira impulsionasse ainda mais o faturamento dos lojistas.

Mesmo com a eliminação precoce, a entidade afirma que parte dos produtos remanescentes está sendo vendida por meio de liquidações e promoções. Outra parcela do estoque deverá ser reaproveitada em eventos futuros, como a Copa do Mundo Feminina do próximo ano.

Alguns comerciantes conseguiram minimizar os prejuízos ao antecipar as promoções. Foi o caso de José Luiz Nascimento, que trabalha há 15 anos no comércio popular. Desconfiado das dificuldades que a Noruega poderia impor ao Brasil, ele decidiu reduzir os preços das camisas antes mesmo da partida decisiva.

“Eu vendi camisas que custavam 150 reais por 80 aqui no sábado antes do jogo. Vendeu demais. Teve muita procura”, contou.

Segundo o comerciante, as peças que permaneceram em estoque não devem ser descartadas. A expectativa é de que o material volte a ter procura durante o período eleitoral, quando o uso das cores verde e amarela costuma aumentar.

“Muita gente usa o verde e amarelo nesse período”, afirmou José Luiz Nascimento.

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