Djidja Cardoso ao lado da mãe, Cleusimar Cardoso, e do irmão, Ademar Cardoso, condenados em primeira instância por envolvimento no esquema de tráfico de cetamina. A defesa informou que recorrerá da decisão.

A defesa de Cleusimar Cardoso Rodrigues, Ademar Farias Cardoso Neto e Verônica da Costa Seixas anunciou que vai recorrer da sentença que condenou os três por envolvimento em um esquema de tráfico de cetamina (ketamina) em Manaus. Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), os advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros afirmam que identificaram fundamentos jurídicos suficientes para questionar a decisão e buscar sua reforma no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

O posicionamento ocorre um dia após a juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), condenar sete integrantes do grupo investigado na Operação Mandrágora. A investigação ganhou repercussão nacional após a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, em maio de 2024.

Defesa diz que sentença será contestada

Na nota, os advogados afirmam que receberam a decisão com respeito ao Poder Judiciário, mas entendem que a condenação apresenta pontos que devem ser reavaliados pelas instâncias superiores.

Segundo a defesa, após analisar a sentença, foram identificados “fundamentos jurídicos relevantes” que justificam a interposição de recurso de apelação.

Os defensores sustentam que a decisão “não reflete a correta valoração das provas produzidas nos autos” e afirmam confiar que o Tribunal fará uma nova análise do processo, em observância ao princípio constitucional do duplo grau de jurisdição.

Ainda conforme o comunicado, a equipe jurídica optou por não comentar o mérito da condenação neste momento, informando que todos os argumentos serão apresentados exclusivamente no recurso que será protocolado perante o TJAM.

Condenação atingiu sete investigados

A sentença condenou sete pessoas acusadas de integrar uma organização responsável por adquirir, distribuir e incentivar o uso de cetamina, medicamento de uso veterinário que, segundo a investigação, era aplicado em pessoas durante encontros promovidos pela seita denominada “Pai, Mãe, Vida”, sob a justificativa de proporcionar experiências espirituais e processos de cura.

De acordo com a decisão, a estrutura utilizava a clínica veterinária MaxVet para obtenção irregular da substância e também contava com a rede de salões Belle Femme como ambiente de aproximação de novos participantes.

Cleusimar e Ademar receberam as maiores penas

Na sentença, a magistrada concluiu que Cleusimar Cardoso exercia papel de liderança na organização criminosa, enquanto Ademar Cardoso seria responsável pela operacionalização da distribuição da cetamina.

Ambos foram condenados a 10 anos e 11 meses de reclusão, em regime fechado.

Também foram condenados:

  • José Máximo Silva de Oliveira, proprietário da clínica MaxVet, a 10 anos e quatro meses;
  • Hatus Moraes Silveira, a 10 anos e cinco meses;
  • Verônica da Costa Seixas, a 10 anos de prisão;
  • Sávio Soares Pereira, a nove anos, em regime semiaberto;
  • Bruno Roberto da Silva Lima, ex-companheiro de Djidja Cardoso, a oito anos e seis meses.

A Justiça determinou que Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus permaneçam presos preventivamente e não possam recorrer em liberdade.

Já Verônica Seixas, Sávio Soares e Bruno Roberto poderão aguardar o julgamento dos recursos fora do sistema prisional, desde que cumpram medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Operação teve origem após morte de Djidja Cardoso

A investigação começou após a morte de Djidja Cardoso, encontrada sem vida em sua residência no dia 28 de maio de 2024.

Durante as diligências, policiais localizaram frascos de cetamina enterrados no quintal da casa, além de seringas, embalagens e outros materiais relacionados ao uso da substância. O conjunto de provas deu origem à Operação Mandrágora, que culminou na denúncia do Ministério Público e, agora, na condenação dos investigados.

A sentença também absolveu Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas, por insuficiência de provas quanto à participação nos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Com o anúncio da defesa, o caso segue para uma nova etapa judicial. Caberá agora ao Tribunal de Justiça do Amazonas analisar o recurso de apelação e decidir se mantém, reduz ou reforma as condenações impostas pela primeira instância.

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