O ex-governador do Amazonas e candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) foi às redes sociais nesta terça-feira (18) para se defender das acusações envolvendo a compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19 e rebater declarações da candidata ao governo Maria do Carmo (PL) sobre o processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“É hora de acabar com a maior fake news do Amazonas: a compra de respiradores em loja de vinho”, afirmou Wilson ao abrir o vídeo.

A manifestação ocorre às vésperas de uma nova movimentação da ação penal no STJ. A ministra Nancy Andrighi, que assumiu a relatoria do caso em junho, incluiu dois agravos regimentais na pauta da Corte Especial, em sessão virtual prevista para começar no dia 2 de setembro. Um dos recursos é de Wilson Lima e o outro de Gutemberg Leão Alencar, também réu no processo.

Wilson contestou a afirmação de Maria do Carmo de que ele será “julgado” nessa data no caso dos respiradores. Segundo o ex-governador, o que estará em análise são recursos apresentados no curso da ação penal.

“Errei ao não ter dedicado tempo para me defender”

Em um dos principais momentos da manifestação, Wilson reconheceu que considera ter cometido um erro político e de comunicação ao não reagir com mais intensidade quando a polêmica surgiu, ainda em 2020.

“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular, em 2020. Coloquem-se no meu lugar: não havia uma UTI no interior, não havia uma usina de oxigênio no estado inteiro e não tínhamos leitos suficientes nem em Manaus. A nossa prioridade era salvar vidas”, declarou.

Wilson sustentou que a aquisição ocorreu em um período de escassez mundial de respiradores e outros equipamentos hospitalares provocada pela pandemia. Segundo ele, entre as alternativas existentes naquele momento, os aparelhos oferecidos pela empresa tinham previsão de entrega mais rápida.

Wilson explica relação da empresa com loja de vinhos

No vídeo, o ex-governador também apresentou sua versão para a origem da expressão “respiradores comprados em loja de vinhos”, que se tornou uma das principais referências ao caso desde 2020.

Segundo Wilson, os equipamentos foram adquiridos da FJAP, empresa que, conforme sua manifestação, estava autorizada a importar e comercializar dezenas de tipos de produtos, entre eles bebidas e equipamentos médico-hospitalares.

A empresa utilizava o nome fantasia Vineria Adega e mantinha um estabelecimento de venda de vinhos. Para Wilson, a associação entre o nome comercial e a atividade da loja acabou dando origem à narrativa de que os respiradores teriam sido adquiridos diretamente no balcão de uma loja de bebidas.

O candidato ao Senado afirmou ainda que essa versão passou a ser explorada por adversários e volta a ganhar espaço durante períodos eleitorais.

“Eu teria ido receber os equipamentos no aeroporto?”

Wilson também utilizou sua presença na chegada dos respiradores a Manaus como argumento para rebater a versão que classifica como falsa.

“Vocês acham que, se a equipe de saúde tivesse comprado respiradores no balcão de uma loja de vinhos, eu teria ido receber os equipamentos no aeroporto, teria ido para a televisão e para as redes sociais? Não faz sentido. Ainda mais tendo passado quase 20 anos da minha vida como jornalista de televisão”, afirmou.

Segundo o ex-governador, diante da emergência sanitária daquele momento, a prioridade de sua administração era conseguir equipamentos com rapidez.

“Se não tivesse comprado os respiradores com rapidez, hoje poderia ser considerado pelo povo e pela Justiça como um governador omisso. Isso eu não sou. Errei, acertei, mas nunca me acovardei”, concluiu.

Processo voltou a avançar após troca de relator

A manifestação ocorre após uma mudança importante na tramitação da ação penal no STJ. O processo contra Wilson Lima e outros 12 réus mudou de relatoria em junho deste ano, mais de quatro anos depois do recebimento da denúncia.

A ministra Nancy Andrighi assumiu os autos depois que o ministro Francisco Falcão deixou a condução do caso por razões de foro íntimo.

Após assumir a relatoria, Nancy movimentou o processo e incluiu na pauta da Corte Especial dois agravos regimentais, um apresentado por Wilson Lima e outro por Gutemberg Leão Alencar. A sessão virtual está prevista para começar em 2 de setembro.

A ação penal está relacionada às investigações sobre a aquisição de respiradores pelo governo amazonense durante a pandemia de Covid-19. Wilson Lima contesta as acusações e, agora candidato ao Senado, voltou a apresentar publicamente sua versão sobre o episódio.

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