
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) barrou, por unanimidade, nesta sexta-feira (11/9), a candidatura de Mariana de Souza (PP) à Câmara dos Deputados.
Ela é apontada como esposa de Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu”. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), ele atua como o número dois do Comando Vermelho (CV) no estado nordestino.
A decisão atende a pedido de impugnação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que aponta supostos vínculos de Mariana com o alto escalão da facção. A candidata à deputada federal pelo Rio ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante o julgamento, o presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares, afirmou que a decisão é uma resposta ao crime organizado. “Mais uma vez, o tribunal está dando uma resposta ao crime organizado”, ressaltou.
Relação com o CV
- Segundo o MPE, relatórios de inteligência apontam “vínculos profundos” de Mariana com integrantes da cúpula do CV. O principal ponto citado é a relação com Wilson.
- Ele foi condenado a 19 anos e 4 meses por tráfico e a outros 12 anos e 7 meses por associação para o tráfico. Está foragido e tem mandados de prisão em aberto.
- O MPE afirma ainda que Mariana teria escondido o rosto de Wilson em publicações nas redes sociais, o que poderia dificultar a identificação dele.
- A Procuradoria aponta também que a candidata teria recebido doações de campanha de pessoas e empresas com suposta ligação com a facção.
Empresas e suspeita de lavagem
Outro ponto envolve a empresa Império do Norte Ltda., de propriedade de Mariana.
Segundo o MPE, a firma está registrada em endereço ao lado de outra empresa, que, de acordo com a ação, teria sido aberta por Wilson usando identidade falsa.
Para a Procuradoria, há indícios de que as empresas tenham sido usadas para lavagem de dinheiro.
O órgão cita ainda seis contas bancárias em nome de Mariana. As movimentações, segundo o MPE, teriam sinais de fracionamento de valores.
Votos em áreas do CV
A votação de Mariana também foi usada como argumento. Nas eleições municipais de 2024, ela concorreu a uma vaga de vereadora na cidade do Rio de Janeiro pelo PDT.
Segundo o MPE, 1.451 votos recebidos por ela, o equivalente a 81,3% do total, ficaram concentrados em bairros da zona norte do Rio apontados como áreas de domínio do CV, como o Complexo da Penha.
Para a Procuradoria, a concentração pode indicar um “curral eleitoral” sustentado por controle territorial.
O MPE cita ainda R$ 14 mil em doações feitas por 10 pessoas que moram ou já moraram nessas regiões. Entre os doadores, segundo a ação, há pessoas com registros criminais ou sem renda formal compatível com os valores.
O próprio MPE ressalva, porém, que esses dados, isoladamente, não comprovam origem ilícita das doações.
O Metrópoles tenta contato com a defesa de Mariana. O espaço segue em aberto para manifestações. Com Metrópoles.







