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O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro iniciou nesta quinta-feira (16) a fase de depoimentos no julgamento dos ex-policiais militares Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, acusados de participação na execução do contraventor Fernando Iggnácio, morto a tiros de fuzil em novembro de 2020. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os irmãos integravam o grupo responsável pelo assassinato, que teria sido encomendado pelo também contraventor Rogério Andrade.

De acordo com a denúncia, o crime teria sido motivado pela disputa pelo controle do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis no estado. O julgamento é conduzido por um conselho de sentença formado por sete jurados e prevê a oitiva de 18 testemunhas de acusação e outras seis apresentadas pelas defesas.

Durante o primeiro dia de julgamento, o delegado responsável pela investigação afirmou que Pedro Cordeiro participou de um voo panorâmico de helicóptero poucos dias antes do homicídio. Conforme a acusação, durante o sobrevoo o réu teria gravado imagens do heliporto, do estacionamento e de um terreno vizinho, material que teria servido para planejar a emboscada.

Fernando Iggnácio foi assassinado logo após desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis. Enquanto caminhava em direção ao estacionamento para buscar seu veículo, foi surpreendido por disparos de fuzil no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro.

As investigações apontam que quatro homens participaram diretamente da ação. Além dos irmãos Pedro e Otto Cordeiro, também foram denunciados Ygor Rodrigues Santos da Cruz, que posteriormente foi encontrado morto, e o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves.

Rodrigo das Neves já foi julgado e condenado, em abril deste ano, a 32 anos, nove meses e 18 dias de prisão pelo assassinato de Fernando Iggnácio. O júri reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, emboscada e emprego de meio cruel.

Apontado pelo Ministério Público como mandante do homicídio, Rogério Andrade permanece preso em um presídio federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, à espera de julgamento. A defesa dos acusados poderá contestar as provas e os argumentos apresentados pela acusação ao longo do processo.

Fernando Iggnácio era genro de Castor de Andrade, considerado um dos maiores nomes da contravenção no Rio de Janeiro. Após a morte de Castor, em 1997, uma disputa pelo controle dos negócios ilegais envolvendo jogo do bicho, máquinas caça-níqueis e outras atividades clandestinas passou a marcar a relação entre Rogério Andrade, sobrinho do contraventor, e Fernando Iggnácio.

Essa rivalidade é apontada pelas investigações como a origem de uma sequência de atentados e homicídios registrados ao longo das últimas décadas. Em 2010, o próprio Rogério Andrade sobreviveu a um atentado a bomba na Avenida das Américas. Na explosão, seu filho Diogo, de 17 anos, morreu no local, enquanto o contraventor ficou ferido e precisou passar por cirurgia. A disputa pelo controle da contravenção continuou nos anos seguintes e culminou, segundo o Ministério Público, no assassinato de Fernando Iggnácio em 2020.

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