
No coração da maior floresta tropical do planeta, onde o Rio Amazonas dita o ritmo da vida e a cultura amazônica se manifesta em sua forma mais grandiosa, a Ilha de Parintins se prepara para viver mais uma edição de um dos maiores espetáculos culturais do Brasil. Entre os dias 26, 27 e 28 de junho, o município amazonense será palco do 59º Festival Folclórico de Parintins, reunindo milhares de visitantes em torno da histórica disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido.
Com pouco mais de 96 mil habitantes, a cidade vê sua população mais do que dobrar durante o período da festa. Para 2026, a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) projeta a chegada de aproximadamente 120 mil turistas, consolidando o evento como um dos maiores atrativos turísticos da Região Norte.
A expectativa é que a movimentação gere mais de R$ 220 milhões para a economia local, beneficiando setores como hotelaria, alimentação, transporte, comércio e serviços.
“Parintins não se explica, sente-se. É uma ilha-coração que pulsa no compasso da toada, onde a floresta se veste de seda e as lendas amazônicas ganham vida em estruturas monumentais que desafiam a gravidade sob o céu amazônico”, resume o morador da ilha, Igor Vinícius.
A ilha moldada pelas águas do Amazonas
Parintins é uma ilha fluviolacustre formada ao longo de milhões de anos pela deposição de sedimentos transportados pelo Rio Amazonas desde a Cordilheira dos Andes. Sua configuração atual foi definida pelas constantes cheias e vazantes do rio, que moldaram lagos, paranás e áreas de terra firme.
Antes da chegada dos colonizadores, a região era habitada pelos povos indígenas Tupinambarana e Sateré-Mawé. A partir do século XVIII, com a presença de missões religiosas e da colonização portuguesa, iniciou-se um processo de miscigenação cultural que seria intensificado durante o Ciclo da Borracha.
No fim do século XIX, milhares de nordestinos, principalmente cearenses e maranhenses, chegaram à região e trouxeram tradições populares como o bumba meu boi, que se fundiram às lendas e aos elementos da cultura indígena amazônica, dando origem ao Festival de Parintins como é conhecido atualmente.
Onde nascem os gigantes da arena
Meses antes da abertura oficial do festival, os trabalhos já acontecem nos galpões de produção dos bois Caprichoso e Garantido, verdadeiras fábricas de arte e criatividade que empregam diretamente mais de 2,5 mil trabalhadores.
É nesses espaços que são construídas as gigantescas alegorias que impressionam o público durante as apresentações no Bumbódromo. Muitas delas ultrapassam os 25 metros de altura — o equivalente a um prédio de oito andares — e podem alcançar mais de 60 metros de largura.
Os projetos são mantidos sob absoluto sigilo. Portões fechados, controle de acesso e proibição de imagens fazem parte da rotina para impedir que informações sobre alegorias, mecanismos e temas cheguem ao rival.
Cidade Garantido
Localizada na Baixa do São José, tradicional reduto vermelho e branco, a Cidade Garantido é o centro de produção do Boi Garantido.
No local, artistas e trabalhadores transformam mitos, lendas e elementos da floresta amazônica em esculturas monumentais e mecanismos cenográficos que ganham vida na arena.
Galpão das Artes Mestre Jair Mendes
O Boi Caprichoso concentra seus trabalhos no Galpão das Artes Mestre Jair Mendes, espaço que homenageia um dos maiores artistas da história do festival.
Reconhecido pelo acabamento refinado, uso de novas tecnologias e riqueza de detalhes, o galpão azul e branco é responsável por produzir algumas das alegorias mais impressionantes da história do Festival de Parintins.
Hospedagem vira negócio milionário
Receber uma multidão de 120 mil visitantes em uma ilha fluvial exige uma logística complexa.
Com a rede hoteleira operando próxima da capacidade máxima meses antes do evento, muitos moradores transformam suas casas em hospedagens temporárias para atender à demanda.
Segundo levantamento do g1, imóveis localizados em áreas valorizadas da cidade chegam a ser alugados por até R$ 247 mil durante o período do festival.
Outra alternativa bastante procurada são os barcos-hotéis, que ficam atracados ao longo da orla e funcionam como hospedagem para milhares de turistas.
Mais de mil agentes reforçarão a segurança
Para garantir a tranquilidade dos visitantes e moradores, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) montou uma grande operação para o período do festival.
Ao todo, mais de 1,1 mil profissionais das forças de segurança atuarão na cidade, entre policiais militares, policiais civis, peritos e bombeiros militares.
O efetivo contará ainda com cerca de 90 viaturas terrestres, além de embarcações utilizadas no policiamento fluvial e no salvamento aquático.
Como os rios são a principal porta de entrada para Parintins, a fiscalização será intensificada nas embarcações que fazem o transporte de passageiros durante o evento.
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Estrutura para receber os visitantes
Além das ações de segurança, o Governo do Amazonas e a Amazonastur também ampliaram os serviços de atendimento aos turistas.
Entre as iniciativas previstas estão:
- Estação do Turismo, com informações e orientações para visitantes;
- Aplicativo Amazonas To Go, que reúne dados sobre hospedagem, alimentação e transporte;
- Praça Gastronômica, valorizando empreendedores locais e a culinária regional;
- Organização dos tricicleiros, principal meio de transporte urbano da cidade durante o festival.
Cultura que movimenta a Amazônia
Muito além da disputa entre Caprichoso e Garantido, o Festival de Parintins representa uma das maiores expressões culturais do país e uma vitrine internacional da identidade amazônica.
Todos os anos, a festa transforma a ilha em um grande palco de celebração da floresta, dos povos tradicionais, das lendas regionais e da criatividade de milhares de artistas que fazem do festival um patrimônio cultural brasileiro.







