Divulgação/Estado do Maranhão

Após passar pela maior reforma das últimas três décadas, o Teatro Arthur Azevedo, em São Luís (MA), voltou a receber o público com uma estrutura totalmente revitalizada. O investimento de R$ 21 milhões permitiu a restauração de um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil, que reabriu oficialmente na última sexta-feira (3), após cerca de um ano de obras.

A retomada da programação ocorreu no sábado (4), com um concerto da Orquestra Filarmônica do Maranhão acompanhado da cantora Alcione, marcando o início de uma nova fase para o espaço cultural, que é um dos teatros mais antigos em funcionamento no país.

Inaugurado em 1817, o Teatro Arthur Azevedo integra o conjunto arquitetônico do Centro Histórico de São Luís, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. O edifício também é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Governo do Maranhão, preservando mais de dois séculos de história.

A obra contemplou tanto a recuperação das características históricas do prédio quanto a modernização de sua infraestrutura. Foram restauradas fachadas, pinturas, elementos decorativos e estruturas originais, além da atualização dos sistemas de climatização, iluminação, sonorização e segurança, adequando o teatro às normas técnicas atuais.

Um dos principais destaques da revitalização foi a reativação do elevador do fosso da orquestra, que permanecia sem funcionamento havia 18 anos. O projeto também incluiu a recuperação do lustre histórico, das cortinas, dos guarda-corpos e das esquadrias, peças consideradas fundamentais para preservar a identidade arquitetônica do espaço.

Nos bastidores, salas destinadas aos ensaios da orquestra, do coro e da companhia de dança foram completamente reformadas. Camarins, vestiários e áreas administrativas também receberam melhorias para oferecer melhores condições de trabalho aos artistas e equipes técnicas.

A acessibilidade foi outro ponto priorizado durante a reforma. O teatro passou a contar com rampas de acesso, plataformas elevatórias, piso tátil, mapas em relevo, sinalização em Braille, sanitários adaptados e espaços específicos destinados a pessoas com deficiência e pessoas obesas, ampliando as condições de inclusão do público.

As obras foram executadas pelo Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Governo (Segov), com o objetivo de preservar um dos principais símbolos culturais do estado sem abrir mão da modernização necessária para atender às demandas atuais.

A programação já foi retomada e prevê uma série de atrações nas próximas semanas. Entre os destaques está o monólogo “O Céu da Língua”, protagonizado por Gregório Duvivier, que será apresentado entre os dias 16 e 18 de julho. O teatro também receberá apresentações de stand-up comedy, como os espetáculos de Bruna Louise, em 26 de julho, e de Flávio Andrade, em 16 de agosto.

A história do teatro começou em 1817, quando foi inaugurado com o nome de Teatro União. Décadas depois, passou a se chamar Teatro São Luiz, em 1852, até receber, na década de 1920, o nome atual em homenagem ao dramaturgo maranhense Arthur Azevedo.

O edifício foi construído durante o período de prosperidade econômica proporcionado pelo ciclo do algodão no Maranhão. A iniciativa partiu de dois comerciantes portugueses que desejavam oferecer à capital maranhense uma casa de espetáculos inspirada nos grandes teatros europeus. Erguido em estilo neoclássico, o prédio é considerado o único exemplar autêntico desse modelo arquitetônico em São Luís.

Ao longo de sua trajetória, o teatro passou por diferentes fases, incluindo períodos de abandono e adaptações que descaracterizaram parte de sua estrutura original, chegando inclusive a funcionar como cinema. As sucessivas restaurações buscaram recuperar os elementos históricos preservados ao longo dos mais de 200 anos de existência.

Entre as curiosidades ligadas ao espaço está o nascimento da atriz Apolônia Pinto, em um dos camarins do teatro, em 1854. Considerada uma das grandes artistas do teatro brasileiro, ela iniciou a carreira ainda criança e ganhou destaque nacional aos 12 anos.

O Teatro Arthur Azevedo completou 200 anos em 2017 e permanece como um dos principais equipamentos culturais do Brasil. Ao lado de espaços históricos como o Teatro Municipal de Ouro Preto (antiga Casa da Ópera de Vila Rica), o Teatro Santa Isabel, em Recife, e o Theatro São Pedro, em Porto Alegre, integra o grupo das mais antigas casas de espetáculos ainda em funcionamento no país.

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