
A eliminação do Irã na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 foi acompanhada por uma mensagem de agradecimento e desabafo. Minutos após a definição dos classificados, a Federação Iraniana de Futebol divulgou uma carta aberta direcionada aos jornalistas que acompanharam a seleção durante o torneio.
No comunicado, a entidade agradeceu o trabalho da imprensa internacional e voltou a afirmar que a delegação sofreu um “tratamento injusto e antidesportivo” ao longo da competição, destacando que a cobertura jornalística contribuiu para dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pela equipe.
A seleção iraniana chegou à última rodada ainda com chances de classificação. Após empatar os três jogos da fase de grupos, terminou invicta na terceira colocação do Grupo G, com três pontos. Bélgica e Egito avançaram às fases eliminatórias, ambos com cinco pontos.
O Irã ainda dependia de uma vitória de Argélia ou Áustria no Grupo J para garantir vaga entre os melhores terceiros colocados. No entanto, o empate por 3 a 3 entre as duas seleções eliminou qualquer possibilidade de classificação.
Na carta, o Departamento de Mídia da seleção agradeceu o profissionalismo da imprensa.
“Agradecemos pelo profissionalismo, pelo apoio e pela cobertura não apenas da trajetória esportiva da nossa equipe, mas também do tratamento injusto e antidesportivo que nossa delegação vivenciou durante nossa estadia. O compromisso de vocês em relatar os fatos com precisão e integridade significou muito para nós.”
A federação também fez questão de agradecer à cidade de Tijuana, no México, onde a delegação permaneceu durante a competição, e aos moradores pela recepção.
“Gostaríamos também de expressar nosso profundo agradecimento ao maravilhoso povo do México, especialmente à bela cidade de Tijuana e aos seus moradores gentis e acolhedores. Vocês nos receberam com generosidade e hospitalidade genuína, fazendo-nos sentir em casa. Deixar Tijuana é realmente difícil para todos nós.”
Na parte final da mensagem, os iranianos afirmaram que levarão consigo as experiências vividas durante o Mundial e manifestaram o desejo de retornar ao país no futuro.
“As memórias que criamos aqui, as amizades que construímos e a gentileza que recebemos permanecerão para sempre nos corações de cada membro da Seleção Nacional de Futebol do Irã. Seremos sempre gratos ao grande e generoso povo do México, bem como ao Governo do México, pela hospitalidade e pelo respeito.”
Restrições marcaram campanha
A participação iraniana na Copa foi marcada por dificuldades fora de campo. Em razão das restrições de entrada impostas pelos Estados Unidos a cidadãos iranianos, a Fifa transferiu a base da seleção para Tijuana, no México.
Com isso, a delegação só podia entrar em território norte-americano na véspera das partidas e precisava deixar o país logo após cada jogo.
As mesmas limitações impediram a entrada de dirigentes da federação e de parte da imprensa iraniana credenciada para acompanhar a equipe. Ao longo do torneio, a Federação Iraniana criticou repetidamente as restrições, classificando o tratamento recebido como desigual e pedindo, em diversas ocasiões, “tratamento justo”.







