O Irã defendeu nesta segunda-feira (28) os ataques contra instalações militares dos Estados Unidos na região e afirmou que as ações ocorreram em legítima defesa. A declaração foi feita por Nasser Assadi Nazari, terceiro conselheiro da missão permanente iraniana junto à Organização das Nações Unidas (ONU), durante o exercício do direito de resposta na Assembleia Geral.

Segundo Nazari, Teerã teria agido com moderação e direcionado os ataques exclusivamente contra instalações e ativos militares norte-americanos.

“Qualquer agressão adicional contra o Irã por parte de países da região será recebida com a resposta mais devastadora”, afirmou o representante iraniano.

A Assembleia Geral da ONU realiza seu debate geral entre 22 de setembro e 2 de outubro de 2026, em Nova York.

Irã responsabiliza países que permitem ataques

Durante o pronunciamento, Nazari afirmou que países que permitem o uso de seus territórios para operações militares contra o Irã também poderiam ser responsabilizados.

O diplomata alegou ainda que mísseis utilizados em ataques contra uma escola e um complexo esportivo no Irã teriam sido lançados a partir de território de um país vizinho. A declaração, no entanto, representa a versão apresentada pelo governo iraniano.

O episódio ocorre em meio à escalada das tensões militares envolvendo o Irã, os Estados Unidos e outros países da região. Nos últimos dias, autoridades iranianas também sinalizaram disposição para negociar, desde que Washington reduza a pressão militar e suspenda o bloqueio aos portos iranianos.

Disputa por ilhas no Golfo

Nazari também voltou a defender a posição iraniana sobre três ilhas disputadas no Golfo — Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb.

O representante afirmou que a soberania do Irã sobre os territórios “não é negociável”. Os Emirados Árabes Unidos, por outro lado, reivindicam as três ilhas como parte de seu território, mantendo uma disputa histórica com Teerã. Documentos da ONU registram as posições divergentes dos dois países sobre a questão.

A disputa pelas ilhas é uma questão recorrente nas relações entre Irã e Emirados Árabes Unidos e também aparece em debates no âmbito das Nações Unidas.

Tensão entre Irã e EUA permanece

A manifestação do representante iraniano ocorreu dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursar na Assembleia Geral da ONU e advertir que poderia ampliar as ações contra o Irã caso não fosse alcançado um acordo de paz.

Trump também afirmou que seu governo busca impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

Apesar das ameaças e da escalada militar, autoridades iranianas afirmaram que existe espaço para negociações diplomáticas. O governo de Teerã já havia indicado que poderia retomar discussões caso os Estados Unidos reduzissem a pressão militar e retirassem medidas contra os portos iranianos.

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