
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta quinta-feira (3) que não consegue prever quando terminará o conflito com o Irã nem quando os preços dos combustíveis voltarão aos níveis anteriores à guerra.
Durante uma entrevista coletiva na Casa Branca, Vance atribuiu ao governo iraniano a responsabilidade pelo encerramento das hostilidades e afirmou que os Estados Unidos não mantêm negociações com Teerã neste momento.
“Quando você pergunta quando isso vai acabar, está me fazendo uma pergunta do tipo: ‘quando os iranianos vão parar de atirar nos navios?’. A realidade é que não sei a resposta para essa pergunta. Você teria de perguntar aos iranianos”, declarou.
Vance minimiza intensidade dos combates
Apesar da troca de ataques registrada nesta semana, Vance afirmou que a situação atual não deveria ser caracterizada como uma guerra, argumentando que as operações de combate em larga escala haviam terminado meses atrás.
“Neste momento, não há troca de tiros ativa”, disse o vice-presidente.
A declaração ocorre após três dias consecutivos de confrontos entre forças americanas e iranianas, inclusive nas proximidades do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte internacional de petróleo.
Na terça-feira (1º), os Estados Unidos realizaram uma operação contra quase 60 alvos militares próximos ao estreito. Segundo autoridades americanas, foram atingidos sistemas de defesa aérea, radares, estruturas marítimas, equipamentos relacionados ao lançamento de minas e instalações de comunicação.
As forças americanas avaliam que novos ataques podem ocorrer na região, diante da capacidade do Irã de reconstruir parte de sua estrutura militar.
Guerra aumenta pressão sobre preço da gasolina
O conflito também tem provocado preocupação dentro dos Estados Unidos devido ao impacto sobre os preços dos combustíveis. A alta da gasolina preocupa especialmente os republicanos, que se preparam para as eleições legislativas de novembro.
Questionado sobre quando o preço do combustível poderia voltar a US$ 3 por galão, Vance evitou estabelecer uma previsão.
“Não vou fazer promessas sobre quando o preço voltará a 3 dólares”, afirmou.
Segundo o vice-presidente, a principal justificativa para a continuidade das operações americanas é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
EUA registram 18 militares mortos
Dados atualizados pelo Pentágono nesta quinta-feira indicam que 18 militares americanos morreram e 790 ficaram feridos desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
Do lado iraniano, o número de vítimas também aumentou. A agência semioficial Tasnim informou que pelo menos 13 militares iranianos morreram em decorrência dos ataques americanos desta semana.
Vance também comentou relatos de que quatro pessoas que participavam de uma festa de casamento teriam morrido durante ataques recentes perto do Estreito de Ormuz. O vice-presidente afirmou que o governo ainda investiga o episódio e não confirmou nem descartou mortes de civis.
Não há negociações com o Irã
Segundo Vance, os Estados Unidos não estão negociando atualmente com o governo iraniano.
“O presidente tem sido muito claro. Não estamos conversando com eles e não conversaremos a menos que parem de atirar contra navios comerciais”, afirmou.
O vice-presidente também lembrou que tentou participar de esforços diplomáticos anteriormente. Um cessar-fogo negociado por ele, porém, durou cerca de duas semanas antes da retomada dos ataques.
Vance defende secretário de Defesa
Durante quase uma hora de perguntas, Vance também defendeu o secretário de Defesa, Pete Hegseth, que vem enfrentando críticas diante de mudanças na estrutura do Pentágono e da saída de integrantes de alto escalão.
O secretário do Exército, Dan Driscoll, apresentou pedido de demissão nesta semana, deixando a força sem seu principal líder civil.
Vance minimizou as baixas e afirmou que Hegseth trabalha para promover mudanças nas Forças Armadas americanas.
“Os Estados Unidos travaram muitas guerras ao longo da minha vida — 42 anos — e não vencemos praticamente nenhuma delas até que Donald J. Trump se tornou presidente dos Estados Unidos”, declarou.







