
Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) foi indiciado em âmbito federal por supostamente mentir sobre as circunstâncias que levaram ao disparo contra um imigrante venezuelano, ocorrido no início deste ano. As informações foram divulgadas por pessoas familiarizadas com o caso.
O agente Christian Castro é acusado de prestar declarações falsas. As acusações ainda não foram divulgadas oficialmente, mas uma fonte ouvida pela CNN informou que o processo envolve diferentes acusações relacionadas a falsos depoimentos.
O caso ganhou repercussão porque imagens de câmeras de segurança e outras evidências teriam contradito a versão apresentada inicialmente pelos agentes envolvidos na ocorrência.
Acusações contra agente ainda podem aumentar
Esta é a primeira vez que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresenta acusações contra um agente por uma conduta ocorrida durante operações de imigração que ganharam ampla repercussão no país.
Castro também responde a acusações na Justiça estadual de Minnesota, incluindo agressão de segundo grau e falso testemunho. Ele chegou a ser detido no Texas, mas foi libertado na semana passada depois que o governador do estado não autorizou imediatamente sua extradição para Minnesota.
O Departamento de Justiça ainda analisa a possibilidade de apresentar acusações relacionadas à violação de direitos civis pelo disparo.
Imigrante foi baleado na perna
A vítima, Julio Cesar Sosa-Celis, de 24 anos, foi atingida na parte de trás da perna durante uma ação de agentes do ICE.
Inicialmente, promotores federais haviam acusado Sosa-Celis e outro homem de atacar um agente da imigração com uma pá de neve e um cabo de vassoura. As acusações, porém, foram retiradas após investigadores analisarem imagens de segurança e outros materiais que contradiziam a versão apresentada por Castro.
Após o episódio, Castro e outro agente foram colocados em licença administrativa.
Segundo os promotores de Minnesota, Castro teria disparado contra Sosa-Celis através da porta do apartamento onde o imigrante estava.
Como ocorreu o disparo
A ocorrência começou quando agentes do ICE tentaram abordar uma caminhonete ligada a um imigrante sem documentação, identificado como Joffre Barrera. O veículo era conduzido por Alfredo Alejandro Aljorna, primo de Sosa-Celis e entregador da DoorDash, que teria fugido durante a abordagem.
De acordo com o relato de Sosa-Celis, Aljorna correu em direção ao apartamento e foi derrubado por um agente do ICE. O imigrante afirmou que ajudou o primo a entrar no imóvel e fechou a porta.
Segundo ele, o disparo aconteceu enquanto a porta era trancada.
“Fechei a porta e, enquanto a trancava, ouvi o tiro. Foi aí que percebi que tinha sido baleada na perna”, relatou Sosa-Celis à CNN na época.
Investigação sobre violação de direitos civis
Além das acusações por declarações falsas, o Departamento de Justiça avalia se Castro poderá responder por violação de direitos civis.
Uma fonte informou à CNN que ainda não existe uma decisão definitiva sobre a apresentação dessas acusações. O promotor federal Matthew Evans, que atuava no caso, foi demitido e passou a ser investigado por uma suposta tentativa de obstrução de uma investigação de grande júri.
Segundo informações divulgadas pela ProPublica, Evans teria tentado apresentar uma acusação mais grave contra Castro relacionada ao disparo, mas a iniciativa teria sido bloqueada por autoridades do Departamento de Justiça.
Defesa cobra responsabilização do agente
Robin M. Wolpert, advogada de Sosa-Celis, afirmou que as acusações contra Castro não seriam suficientes diante das evidências reunidas no caso.
Segundo ela, o agente teria mentido para encobrir o disparo realizado contra seu cliente através da porta de uma residência ocupada.
A defesa sustenta que existem elementos para uma acusação por violação de direitos civis e cobra que Castro seja responsabilizado integralmente pelo episódio.







