Belo Horizonte – O juiz Milton Lívio Lemos Salles, afastado do cargo depois de aparecer bebendo vinho e fumando durante uma audiência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), realizada por videoconferência, seguirá recebendo remuneração de forma integral.

“Durante a tramitação do procedimento, o magistrado permanece recebendo os vencimentos correspondentes, conforme previsto na legislação aplicável”, afirmou a Corte ao site Metrópoles.

Segundo dados do Portal da Transparência da Corte, o juiz recebeu R$ 105.073,16 em rendimentos brutos em julho. O salário de Milton foi composto por R$ 13.212,08 em vantagens pessoais, R$ 39.753,21 por cargo em comissão, R$ 13.913,62 em indenizações e R$ 24.280,63 em vantagens eventuais. A folha também registra R$ 13.913,62 em gratificações, totalizando os R$ 105.073,16 no mês.

Afastado

Milton já sofreu medidas cautelares em razão do episódio. Ele foi afastado de suas atribuições pelo TJMG e pela Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) e pode enfrentar punições que vão desde advertências verbais até a expulsão do cargo.

O afastamento tem caráter preventivo e foi determinado enquanto os fatos são apurados pelas autoridades competentes. Durante o período fora do trabalho, o magistrado fica impedido de exercer suas funções jurisdicionais e de acessar dependências e sistemas do tribunal, além de ter a suspensão do porte de armas.

As medidas foram aprovadas por unanimidade pelo Órgão Especial do TJMG em sessão extraordinária realizada na tarde dessa terça. A decisão confirma determinação cautelar expedida horas antes pelo corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior.

Em nota, a Justiça informou que os processos sob relatoria do juiz serão redistribuídos. “Os processos judiciais que estavam sob a relatoria do juiz serão redistribuídos em razão do seu afastamento, e será convocado(a) magistrado(a) de primeiro grau para substituí-lo na atuação no Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família”, cita nota.

Quem é o juiz Milton Lívio

Milton é mineiro, natural de Belo Horizonte, e desde 1998 atua no Judiciário. Ele já passou pelas comarcas de Brumadinho, Araçuaí e Montes Claros. Ele também já foi titular da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte durante 17 anos.

Salles concluiu o curso de direito em 1989, na Faculdade de Direito Milton Campos. O magistrado é filho do desembargador aposentado Tibagy Salles Oliveira. O pai dele presidiu o extinto Tribunal de Alçada de Minas Gerais nos anos de 1998 a 2000.

Ele se pronunciou por meio das redes sociais e atacou colegas de toga: “Quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim. Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre de Moraes, são todos uns corruptos, filhos da puta. Falo como juiz com conhecimento de causa. Olha, tô cansado. Muito cansado”, afirmou.

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