
Uma garagem com veículos esportivos de alta cilindrada, estojos repletos de relógios de marcas renomadas, correntes de ouro e pilhas de cédulas de R$ 100. As imagens divulgadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelam a extensão do patrimônio acumulado pela rede nacional de produção e venda clandestina de anabolizantes, alvo nesta quarta-feira (12) na Operação Narciso.
Apontado pelas investigações como o líder da organização criminosa, Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraiya” ou “mafioso das bombas”, movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês. O montante alimentava uma rotina de ostentação. Os investigadores suspeitas a vida de luxo era bancada com os lucros da venda ilegal dos produtos que oferecem riscos à saúde impostos dos consumidores, preparados em laboratórios clandestinos e sem controle sanitário. O GLOBO não conseguiu contato com a defesa do investigado. O espaço segue aberto.
Garagem de luxo e joias
Automóveis de luxo estão entre os bens bloqueados e apreendidos por determinação da Justiça, que autorizou 43 prisões, 64 mandados de busca e apreensão e o bloqueio ou sequestro de R$ 32 milhões em ativos. Em um dos endereços alvo de busca e apreensão, os agentes localizaram um Mercedes-Benz CLA cinza, e um Porsche.
Além da frota, a PCDF recolheu uma coleção de itens pessoais de luxo, entre eles relógios de grife. As imagens mostram maletas e estojos com dezenas de peças de marcas internacionais, incluindo dos fabricantes Rolex, Audemars Piguet e Hublot, além de cronógrafos banhados a ouro e com acabamento em borracha e aço inox.
Em compartimentos organizadores, os policiais apreenderam correntes de ouro, pulseiras de couro, braceletes metálicos e cordões masculinos.
Durante as buscas, também foram encontrados maços de cédulas de R$ 100, além de iPhones e ampolas com substâncias líquidas etiquetadas, guardados inclusive dentro de malas de viagem.
Quem é Jiraiya
Apontado como líder do esquema, Jiraiya evitava participar diretamente da fabricação, segundo a polícia. Ele alugava imóveis de alto padrão em diferentes estados e contratava terceiros para produzir e distribuir as substâncias. A organização mantinha laboratórios em São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Foz do Iguaçu e no Paraguai. A venda era feita principalmente pelas redes sociais, enquanto as entregas chegavam aos clientes por meio de motoboys e serviços de delivery.
A investigação aponta que a principal marca ligada ao grupo, a New Science, patrocinava fisiculturistas e mantinha relações com profissionais que indicariam os produtos clandestinos. As matérias-primas eram trazidas da Índia, China e Paraguai e, em alguns casos, escondidas em peças de motocicletas para dificultar a fiscalização. De acordo com a PCDF, os produtos eram preparados sem condições adequadas de higiene e misturados a diferentes tipos de óleo.
Ainda conforme a investigação, a fórmula de alguns produtos incluía substâncias de uso veterinário, como clembuterol, e diuréticos que não apareciam nos rótulos. A falta de controle sanitário teria provocado reações alérgicas, abscessos, tromboses e infecções graves em usuários, com registros de mortes relacionados ao consumo.
A operação atingiu a estrutura financeira e logística do grupo em oito estados e no Distrito Federal. A Justiça autorizou 43 prisões, 64 mandados de busca e apreensão e o bloqueio ou sequestro de R$ 32 milhões em ativos. Também foram apreendidos dez veículos de luxo e derrubados mais de 30 sites usados para a comercialização ilegal, segundo a polícia.
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Com informações de O Globo.







