Reprodução/Sotheby's

Um fóssil de Tyrannosaurus rex de 67 milhões de anos foi vendido por US$ 50,1 milhões (cerca de R$ 255 milhões) em um leilão realizado pela Sotheby’s nesta terça-feira (14), estabelecendo um novo recorde mundial para a venda de um esqueleto de dinossauro. Batizado de Gus, o exemplar é considerado um dos mais completos já encontrados nos Estados Unidos e supera o antigo recorde, registrado em 2024 com a venda do estegossauro Apex por US$ 44,6 milhões.

O esqueleto recebeu o apelido em homenagem ao proprietário da fazenda em Dakota do Sul onde foi descoberto, em 2021. Segundo a Sotheby’s, cerca de 60% dos ossos originais foram recuperados, tornando o fóssil um dos espécimes de T. rex mais completos já encontrados no país.

A descoberta mobilizou anos de trabalho. Após ser localizado, Gus foi escavado durante três temporadas consecutivas de verão, período em que as condições climáticas permitem esse tipo de atividade. Em seguida, o fóssil passou por três anos de preparação em laboratório antes de ser levado ao leilão.

Cole Jacobs, um dos integrantes da equipe responsável pela escavação, relatou que identificou o primeiro osso logo no início das buscas, quando avistou um metatarso parcialmente exposto no solo.

Além da importância comercial, o fóssil também despertou interesse científico. Estudos realizados durante a preparação revelaram marcas de mordidas no crânio e costelas que haviam sido fraturadas e cicatrizadas ainda em vida, indicando que o animal sobreviveu a confrontos ou acidentes antes de morrer. Segundo especialistas, as lesões podem ter sido provocadas por disputas com outros dinossauros ou durante a alimentação.

A identidade do comprador não foi divulgada pela casa de leilões, assim como o destino que será dado ao fóssil.

A venda reacendeu o debate sobre a comercialização de fósseis de dinossauros. Especialistas destacam que empresas privadas frequentemente possuem recursos financeiros para localizar, escavar e preservar espécimes que talvez nunca fossem encontrados apenas por instituições científicas.

Por outro lado, pesquisadores alertam que a venda de fósseis para colecionadores particulares pode limitar o acesso da comunidade científica a exemplares de grande relevância. Como muitos desses fósseis passam a integrar coleções privadas, nem sempre permanecem disponíveis para estudos, dificultando pesquisas sobre evolução, diversidade das espécies e contexto geológico dos achados.

Outro fator apontado por paleontólogos é que os altos valores alcançados em leilões tornam praticamente impossível que museus e universidades concorram pela aquisição desses exemplares, aumentando a presença de fósseis importantes em coleções particulares.

No Brasil, a legislação adota uma abordagem diferente. Todos os fósseis encontrados em território nacional pertencem à União, independentemente do local da descoberta, e sua comercialização é proibida. Apesar disso, o país já registrou casos de tráfico internacional de fósseis.

Um dos episódios mais conhecidos envolve o dinossauro Ubirajara jubatus, encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará. O exemplar foi levado ilegalmente para a Alemanha na década de 1990 e somente retornou ao Brasil em 2023, em um processo considerado um marco para a paleontologia nacional.

Nos Estados Unidos, onde Gus foi descoberto, a legislação determina que fósseis encontrados em propriedades privadas pertencem ao dono do terreno, permitindo sua comercialização e contribuindo para a existência de um mercado consolidado de compra e venda desses exemplares.

O interesse do público por dinossauros existe há séculos, mas ganhou projeção mundial nas últimas décadas, especialmente após o lançamento do filme “Jurassic Park”, em 1993. Desde então, fósseis de grandes dinossauros passaram a despertar interesse não apenas de museus e pesquisadores, mas também de colecionadores e investidores, impulsionando um mercado que movimenta milhões de dólares e continua dividindo opiniões entre cientistas e o setor privado.

Artigo anteriorFrio perde intensidade e calor volta ao centro-sul
Próximo artigoBrasil poderá se tornar o 2º país mais taxado pelos EUA