
Os advogados de Luigi Mangione pretendem apresentar uma defesa baseada em transtorno emocional extremo durante o julgamento estadual que apura o assassinato de Brian Thompson, morto em dezembro de 2024 em Nova York.
Durante audiência realizada nesta quarta-feira (17), o juiz Gregory Carro afirmou que pretende liberar documentos relacionados à estratégia da defesa, que sustenta que Mangione teria cometido o crime enquanto enfrentava um grave episódio de saúde mental.
Pela legislação do estado de Nova York, a defesa por transtorno emocional extremo não nega a prática do ato, mas busca demonstrar que o acusado agiu sob forte perturbação psicológica, o que pode resultar na redução da acusação de homicídio doloso para homicídio culposo.
O magistrado determinou que a defesa entregue até quinta-feira informações detalhadas sobre a tese, incluindo o nome do especialista psiquiátrico responsável pela avaliação e os fundamentos do argumento.
“Os promotores precisam saber qual é a doença da qual o réu sofre e como isso desencadeou o transtorno emocional extremo no momento dos fatos”, afirmou o juiz.
Defesa enfrenta desafio diante das provas
Especialistas ouvidos pela imprensa americana avaliam que a estratégia será difícil de sustentar, mas pode representar a melhor alternativa para a defesa diante do conjunto de provas reunidas pela acusação.
No mês passado, a Justiça autorizou os promotores a utilizarem evidências consideradas centrais para o caso, incluindo a suposta arma do crime e documentos atribuídos a Mangione nos quais ele teria demonstrado hostilidade contra o setor de saúde e manifestado o desejo de eliminar um executivo da área.
Mangione se declarou inocente das acusações estaduais de homicídio e porte ilegal de arma.
Acusação de arma é retirada
Na mesma audiência, o juiz aceitou um pedido da promotoria para retirar a acusação de porte de arma do processo estadual.
A acusação estava relacionada a um carregador de munição encontrado na mochila do acusado quando ele foi preso na Pensilvânia dias após o crime.
Anteriormente, Carro havia considerado inadmissíveis como prova alguns itens apreendidos durante a abordagem policial, ao entender que a revista realizada pelos agentes não seguiu os procedimentos adequados.
Julgamento está previsto para setembro
O julgamento estadual de Mangione está previsto para começar em setembro. O juiz alertou que qualquer atraso na apresentação da defesa psiquiátrica poderá impedir o uso desse argumento perante o júri.
Caso seja condenado por homicídio doloso, o acusado poderá enfrentar prisão perpétua. Se a tese de transtorno emocional extremo for aceita e a acusação for reduzida para homicídio culposo, a pena máxima poderá cair para 25 anos de prisão.
Além do processo estadual, Mangione também responde a acusações federais relacionadas ao caso e igualmente se declarou inocente.






