
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Amazonas, prevista para este mês, deve se transformar em um dos principais movimentos políticos da pré-campanha de 2026 no estado. Nos bastidores, aliados do PT articulam a presença do ex-deputado federal Marcelo Ramos na chapa majoritária encabeçada pelo senador Eduardo Braga, que disputará a reeleição ao Senado.
A viagem presidencial, oficialmente voltada para a entrega de obras federais em Manaus, também deve funcionar como um termômetro político para medir a força dos nomes ligados ao campo da centro-esquerda no Amazonas. Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o PT não pretende abrir mão de ocupar uma vaga na chapa majoritária e vê Marcelo Ramos como peça estratégica para fortalecer o palanque de Lula no estado.
O entendimento de lideranças petistas é que o presidente precisa de um aliado com discurso mais alinhado ao governo federal para enfrentar o avanço da direita bolsonarista no Amazonas. Na avaliação do partido, nem Eduardo Braga nem o senador Omar Aziz, pré-candidato ao Governo do Amazonas, devem assumir um enfrentamento direto ao eleitorado conservador, buscando preservar apoio de setores de centro.
Do outro lado da disputa, a direita já começa a consolidar seus nomes. O PL trabalha a pré-candidatura da empresária Maria do Carmo Seffair ao governo estadual, enquanto o deputado federal Capitão Alberto Neto aparece como um dos principais nomes ao Senado. O cenário ainda inclui possíveis candidaturas do senador Plínio Valério e do ex-governador Wilson Lima.
Levantamento do instituto Veritá citado pelo Metrópoles aponta Alberto Neto na liderança da disputa ao Senado, com 27% das intenções de voto, seguido por Eduardo Braga, com 20,7%. Marcelo Ramos aparece com 8,8%, à frente de Plínio Valério e Wilson Lima.
Apesar da pressão do PT, Eduardo Braga ainda evita confirmar oficialmente a composição da chapa. Segundo interlocutores, o senador pretende aguardar a visita de Lula ao Amazonas e a realização de novas pesquisas antes de anunciar qualquer definição política.
Nos bastidores do MDB, há preocupação de que a entrada de Marcelo Ramos possa dividir o eleitorado de centro-esquerda e acabar favorecendo candidatos ligados à direita na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026.
O Amazonas foi um dos estados mais disputados na eleição presidencial de 2022. Lula venceu no estado com vantagem apertada sobre Jair Bolsonaro, mas acabou derrotado em Manaus, onde o ex-presidente teve ampla vantagem nas urnas. Ainda assim, a aliança apoiada pelo PT conseguiu eleger Omar Aziz ao Senado naquele pleito, consolidando espaço político do grupo no estado.







