O governador do Amazonas e candidato à reeleição, Roberto Cidade (Federação União Progressista), afirmou nesta quarta-feira (12) que pretende manter diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com lideranças de diferentes correntes políticas sempre que houver possibilidade de obter recursos e benefícios para o estado.

Em entrevista à TV Norte, Cidade reagiu aos questionamentos sobre sua recente reunião com Lula e às críticas provocadas pela aproximação com o presidente. O governador afirmou permanecer politicamente no campo da centro-direita, mas sustentou que divergências ideológicas não devem impedir articulações institucionais em favor do Amazonas.

“Meu lado é isso aqui, a bandeira do Amazonas”, declarou.

Segundo Cidade, a reunião com Lula teve como principais pautas a busca por recursos para a saúde, questões relacionadas à arrecadação estadual e medidas de preparação para uma possível estiagem severa no Amazonas.

Cidade admite faltar a próximos debates

Na mesma entrevista, o governador falou sobre sua ausência no primeiro debate entre candidatos ao Governo do Amazonas, realizado pela Band Amazonas no domingo (9), e admitiu que poderá não participar de todos os próximos confrontos eleitorais.

Cidade disse estar preparado para os debates, mas afirmou que o comparecimento será analisado pela equipe de campanha, que avaliará o momento considerado adequado para confrontar os adversários e discutir propostas.

Ao justificar a ausência no domingo, o governador afirmou que a confirmação da agenda com Lula ocorreu somente naquela tarde.

“Somente domingo, à tarde, fomos informados pela Presidência da República da confirmação de nossa agenda com o presidente Lula para tratar da estiagem na região, que carece da ajuda do governo para enfrentar o rigor do fenômeno, além da captação de recursos do SUS para ajudar a melhorar ainda mais a saúde do nosso estado. Por isso não compareci ao debate”, explicou.

O governador também avaliou que seus adversários estavam preparados para concentrar críticas em sua administração caso ele comparecesse ao confronto.

“A gente viu ali três candidatos que estavam preparados para atacar o Governo do Estado do Amazonas. Na condição de governador, eles iriam querer me atacar, iriam querer criar narrativas políticas para utilizarem nas redes sociais”, afirmou.

Cidade argumentou que, com o início do período oficial de campanha nas ruas, a estratégia passa a incluir viagens aos municípios do interior, apresentação de propostas e pedidos de votos diretamente aos eleitores.

Saúde e busca por recursos federais

Ao abordar a saúde, Cidade afirmou que sua administração já pagou mais de R$ 300 milhões a empresas médicas e outros prestadores de serviços do setor desde que assumiu o governo.

Também citou reformas e ampliações em 22 unidades de saúde e a realização de mutirões de consultas e cirurgias.

O candidato defendeu ainda a ampliação dos recursos federais destinados ao Amazonas. Como justificativa, apontou as particularidades geográficas do estado e os custos elevados para atender pacientes dos municípios do interior, incluindo casos que exigem transporte por UTI aérea.

Zona Franca e novas atividades econômicas

Na área econômica, Cidade defendeu a manutenção da Zona Franca de Manaus (ZFM) como principal motor da economia amazonense, mas afirmou que o estado precisa ampliar suas fontes de emprego e renda, principalmente no interior.

Entre os setores mencionados pelo governador estão gás, potássio, petróleo e terras raras. Segundo ele, a diversificação econômica pode ampliar as oportunidades fora de Manaus e reduzir a concentração das atividades econômicas na capital.

Escolha de Choy para o TJAM

Cidade também comentou a nomeação do advogado Marco Aurélio de Lima Choy para desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), na vaga destinada à advocacia pelo Quinto Constitucional.

O governador afirmou ter conversado com os três integrantes da lista tríplice encaminhada pelo TJAM antes de decidir. Ao justificar a escolha, destacou a experiência profissional de Choy, ex-presidente da OAB-AM e advogado atuante.

“Eu entendi que ele era o melhor e tomei a minha decisão”, declarou.

Ao final da entrevista, Cidade defendeu mais quatro anos de mandato para colocar em prática o que classificou como seu modelo de gestão, baseado em diálogo, trabalho e cobrança por resultados. Reforçou ainda que pretende manter interlocução com diferentes lideranças políticas quando considerar que a aproximação pode resultar em recursos e ações para o Amazonas.

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