
A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) realiza, neste sábado (3/10), às 20h, no Teatro ICBEU, o segundo concerto da Série Amazônia. Com entrada gratuita, a apresentação dá continuidade à proposta de aproximar o repertório universal da música de concerto das sonoridades, histórias e manifestações culturais da região amazônica.
Sob regência do maestro Rubens Cláudio, o programa reúne a “Suíte Holberg, Op. 40”, de Edvard Grieg, e duas obras inéditas de compositores paraenses: o poema sinfônico “Paxiúba”, de João Marcos Palheta, e a “Suíte Cartografias Amazônicas”, de Cibelle Donza. O concerto terá ainda a participação do solista Arley Raiol.
Depois de abrir a série com uma formação sinfônica completa, a OSA aposta, desta vez, em uma configuração mais intimista. As cordas assumem o protagonismo, acompanhadas por instrumentos incorporados às necessidades das obras, como percussão e flauta.
Para Rubens Cláudio, a redução do número de músicos não diminui a complexidade do repertório. Pelo contrário, exige dos intérpretes outras formas de explorar as possibilidades sonoras.
“Quando tenho uma orquestra menor ou uma orquestra de cordas, a minha ‘caixa de lápis de cor’ é menor também. Então, para pintar o quadro, preciso misturar algumas coisas e buscar esses elementos por meio dos instrumentos que tenho”, compara o maestro.
Da tradição europeia às histórias amazônicas
A ponte entre diferentes universos musicais começa com Edvard Grieg. Escrita pelo compositor norueguês em homenagem ao dramaturgo Ludvig Holberg, a “Suíte Holberg” revisita formas e danças antigas, especialmente aquelas associadas ao período barroco.
A escolha mantém uma característica da Série Amazônia: colocar obras consagradas do repertório internacional em diálogo com produções inspiradas na cultura e no imaginário amazônico.
Esse encontro ganha força com duas estreias mundiais.
Em “Paxiúba”, João Marcos Palheta mergulha em uma narrativa indígena ligada à floresta e à música. A composição parte da história de um indígena reconhecido pela beleza de sua voz e de seu canto, em uma narrativa que envolve sua transformação em uma palmeira da qual são produzidas flautas.
A flauta ganha, assim, papel central na construção musical da obra, funcionando como elemento narrativo e ajudando a conduzir o público pelo universo criado pelo compositor.
O diretor executivo da OSA, Nikolay Sapoundjiev, destaca que a composição transforma a lenda em uma experiência musical.
“Ela conta poeticamente a história de uma palmeira cujas raízes estão expostas, dando a impressão de que ela caminha pela floresta. Dessas raízes é feita uma flauta. É uma lenda muito bela, que o João Marcos traduziu em música”, explica.
A segunda estreia da noite será a “Suíte Cartografias Amazônicas”, de Cibelle Donza. Compositora e maestrina paraense, ela construiu a obra a partir de ritmos, danças e experiências culturais que fizeram parte de sua formação na região.
Dividida em quatro movimentos, a suíte percorre referências amazônicas e incorpora elementos como baque acreano, parixara, carimbó e toada amazonense, transportando para a linguagem da música de concerto manifestações presentes na memória cultural da região.
Segundo Rubens Cláudio, a proximidade da compositora com essas referências pode ser percebida na própria escrita musical.
“ Ela trouxe as danças da região, a vivência dela, de fato. Tudo isso compõe as experiências que fazem parte do nosso cotidiano. Ela cresceu ouvindo carimbó, ouvindo boi. São quatro movimentos lindos”, afirma.
Para o maestro, interpretar uma composição pela primeira vez envolve também a responsabilidade de encontrar uma maneira de apresentar aquela narrativa ao público.
“O maior desafio é contar essa história, criando um universo para que o público a compreenda. Trata-se de encontrar o elemento mágico para que ela possa ser entendida e amada da mesma forma como eu a amo”, destaca.
Série abre espaço para novos compositores
Além de aproximar o público da produção musical inspirada na Amazônia, a série pretende criar espaço para uma nova geração de compositores brasileiros. Para Nikolay Sapoundjiev, apresentar os trabalhos de Cibelle Donza e João Marcos Palheta ao público amazonense também representa uma oportunidade de revelar novos talentos.
Sapoundjiev adianta ainda que os próximos programas terão obras de jovens compositores do Amazonas, ampliando a presença da produção regional ao longo da temporada.
Após a recepção do concerto de abertura, a expectativa da OSA é continuar conduzindo o público por diferentes caminhos da música amazônica.
“Convidamos o público amazonense a continuar esta viagem conosco pela música e pelos mistérios do folclore da nossa Amazônia”, afirma Sapoundjiev.
Patrocínio e apoio cultural
A temporada 2026 da Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) conta com Patrocínio Amazônia/Master da Manaus Airport, Patrocínio Rio Solimões da Bemol e Patrocínio Rio Negro da Samel.
A OSA conta também com o apoio cultural do Sistema Encontro das Águas, Fundação Rede Amazônica, CAUA, Museu da Amazônia (MUSA) e Hotel dos Frades, reforçando o compromisso de instituições públicas e privadas com o fortalecimento da cultura e da música de concerto na região amazônica.
A realização da Série Amazônia, da Orquestra Sinfônica da Amazônia, é uma ação conjunta da OSA com a Associação Amazônia de Produção, Organização e incentivos artísticos (Apoiar AM).
Serviço
O quê: Segundo concerto da Série Amazônia – Orquestra Sinfônica da Amazônia
Quando: 3 de outubro, às 20h
Onde: Teatro ICBEU
Regência: Rubens Claudio
Solista: Arley Raiol
Entrada: Gratuita







