
Uma das principais novidades da 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte estreia nesta quinta-feira (24/9). A mostra competitiva Amazônia de Longas-metragens começa às 18h15, no Teatro Amazonas, com “Xingu, Nosso Rio Sagrado”, dirigido por Angela Gomes (PA), documentário que percorre a região do médio Xingu para mostrar os impactos da hidrelétrica de Belo Monte sobre o rio e as comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dele. A entrada é gratuita.
Criada para ampliar o espaço dedicado à produção cinematográfica da Amazônia, a nova mostra reúne longas realizados nos estados da Amazônia Legal ou dirigidos por cineastas da região. A categoria recebeu 28 inscrições em sua primeira edição, sendo nove do Amazonas e oito do Pará, além de trabalhos de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Acre.
O primeiro longa da nova mostra competitiva tem como um dos pontos de vista a cacica Konkongri Kayapó, liderança feminina do povo Mebêngôkre-Kayapó. A produção mostra como povos originários e comunidades tradicionais convivem com o rio, denunciam agressões e ameaças e desenvolvem estratégias de luta e resistência pela preservação do Xingu e de seus modos de vida.
Sessões começam às 14h
O segundo dia de exibições começa às 14h, no Teatro Gebes Medeiros (avenida Eduardo Ribeiro, 937, Centro), com cinco produções da mostra Olhar Panorâmico.
“Rios de Memórias”, dirigido por Cinema Instantâneo (RO), acompanha um grupo de estudantes de cinema que investiga as memórias do Rio Cayarí, também conhecido como Rio Madeira, em Porto Velho.
Em “De Volta Ao Começo”, de Sérgio Santos Barroso (TO), Jonas abandona a cidade após o fim de um longo relacionamento e passa a viver na casa de campo herdada dos pais para escrever seu segundo romance, 20 anos após a publicação do primeiro. Os planos mudam quando ele precisa dividir os dias com o sobrinho Igor, a namorada dele, Maxxie, e “A Pistoleira”, personagem principal de seu livro.
“Praia Grande”, de Fernando Segtowick e Lucas Domires (PA), parte de uma viagem ao local que dá nome ao filme para abrir um álbum de memórias da família Segtowick, atravessado pela passagem do tempo, pelo rio e pela presença de um grande pai.
Já “Devaneios Rodoviários”, dirigido por Pedro Bezerra (MA), acompanha uma viagem de ônibus na qual sonhos, pensamentos, memórias e paisagens se confundem ao amanhecer. Completa a sessão “No Limite do Lavrado”, de Alex Pizano (RR).
Amazônia Curtas e Outros Nortes
Às 16h, seis produções integram a sessão das mostras Amazônia Curtas e Outros Nortes, no Teatro Amazonas.
“Éter”, de Luiza Calagian (SP), costura passado e presente por meio das memórias de Branca, uma senhora de 96 anos que conduz a neta por uma viagem pela espiritualidade, sua forma de enxergar a vida e a relação com o que está por vir.
Em “Lendas da Noite”, de Olavo Toledo (SP), um vampiro ancestral, imerso em um tédio que perdura há milênios, é levado por uma figura misteriosa a um jogo de gato e rato pelas ruas de São Paulo.
“Samba Infinito”, de Leonardo Martinelli (RJ), acompanha um gari que enfrenta o luto pela perda da irmã enquanto trabalha durante o Carnaval carioca. Em meio à folia dos blocos de rua, ele encontra uma criança perdida e decide ajudá-la.
O documentário “Capim”, de Júlia Munhoz e Caio Pimenta (MT), aborda a trajetória de um povo indígena retirado de seu território na década de 1960. A produção mostra as contradições da retomada anos depois, a devastação ambiental e os desafios para reconstruir a vida e garantir a sobrevivência.
Em “Minha Tia Suzi”, de Tatiana Horevicht (MT), Renato, de sete anos, é obrigado pela mãe a conhecer a irmã de seu falecido pai, uma mulher trans que retorna do exterior para vender a casa da família. Entre memórias e fotografias, o menino descobre uma nova forma de ver a vida.
A sessão inclui ainda “Por Onde Você Vai”, de Bruma de Sá e Mauro Gruber (AM). Em um cotidiano contemplativo e enigmático, Dália, Duda e Nikki surgem como presenças quase fantasmagóricas, em uma narrativa na qual o gesto e a ausência dizem mais do que qualquer diálogo.
Filmes convidados
Às 20h30, dois títulos do Amazonas encerram as exibições desta quinta-feira, no Teatro Amazonas.
Dirigido por Ricardo Manjaro e Henrique Amud, “Zona XYZ” apresenta uma Manaus sufocada pela fumaça, onde um presidiário aceita vender sua sentença a uma empresa do Distrito Industrial. Em troca da redução da pena, ele é enviado às misteriosas Zonas de Coleta e descobre que sua prisão é muito maior do que uma cela.
Na sequência, “Obeso Mórbido”, de Diego Bauer, revisita a própria história do diretor como ator e realizador, colocando em cena as marcas da obesidade que atravessam sua trajetória artística e pessoal. O filme expõe as tensões entre corpo, carreira e identidade.
Festival Olhar do Norte 2026
O Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte chega à oitava edição e acontece até domingo (27/9), em espaços culturais de Manaus.
Referência do audiovisual na Região Norte, o Olhar do Norte recebeu 596 inscrições este ano e alcançou o recorde de 67 filmes selecionados, com produções de 19 estados e do Distrito Federal. O Amazonas lidera a seleção, com 14 títulos, seguido pelo Pará, com 11, e Mato Grosso e Rondônia, com sete cada.
A Amazônia Longas recebeu 28 inscrições, sendo nove do Amazonas e oito do Pará, além de trabalhos de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Acre.
A Amazônia de Curtas-metragens recebeu 188 inscrições, com o Amazonas novamente à frente, com 65 títulos, seguido pelo Pará, com 34, e Rondônia, com 29. Outros Nortes contabilizou 325 trabalhos inscritos, enquanto a Olhinho recebeu 55, totalizando os 596 filmes submetidos à oitava edição.
Após as sessões presenciais, o alcance se estende ao ambiente digital por meio da parceria com a plataforma Itaú Cultural Play, que disponibilizará os filmes on-line.
A 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte é realizada pela Artrupe Produções, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Itaú e parceria do Itaú Cultural Play, Cine Set e apoio do Amazonas Shopping, Atelo e Governo do Amazonas via Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
A programação completa está disponível em festivalolhardonorte.com e no perfil @olhardonorte, no Instagram.







