O Ministério Público Eleitoral do Amazonas pediu à Justiça, nesta quinta-feira (15), o encaminhamento à Polícia Federal de uma representação criminal contra o deputado federal eleito Alexandre da Silva Salazar (PL), conhecido como Sargento Salazar, e seu aliado Kidson Maia de Souza, o “Kidson Doido”, para a instauração de inquérito policial. O pedido foi apresentado após gestos interpretados pela deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD), candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz, como ameaças de morte durante o debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, realizado na terça-feira (13), pela TV Norte Amazonas.

Na manifestação encaminhada à Justiça Eleitoral, o promotor eleitoral Jorge Alberto Veloso Pereira destacou a necessidade de aprofundar a apuração para verificar se houve prática de crimes, identificar eventuais responsáveis e reunir elementos que permitam ao Ministério Público decidir sobre possíveis medidas criminais.

O documento, ao qual o Fato Amazônico teve acesso, aponta que ainda não existem elementos suficientes para uma conclusão definitiva sobre os fatos.

“Da análise dos elementos apresentados, verifica-se a necessidade de aprofundamento da apuração, especialmente para coletar elementos de prova acerca da ocorrência ou não das práticas criminosas indicadas, bem como de outras eventualmente constatadas no curso das investigações, além da confirmação acerca de sua autoria, não havendo, neste momento, elementos suficientes para formação definitiva da opinio delicti”, afirma o promotor.

Diante dessa avaliação, o representante do Ministério Público Eleitoral solicitou expressamente o envio do procedimento à Polícia Federal.

“Diante disso, o Ministério Público Eleitoral requer a Vossa Excelência a remessa dos autos à Polícia Federal para instauração de inquérito policial e realização das diligências necessárias à completa elucidação dos fatos e identificação de seus autores, nos termos da Resolução TSE nº 23.640/2021”, diz outro trecho da manifestação.

Representação aponta possíveis crimes previstos no Código Penal e na legislação eleitoral

A representação criminal foi apresentada por Alessandra Campêlo contra Sargento Salazar e Kidson Maia em razão dos acontecimentos registrados durante o debate eleitoral de 13 de outubro.

Segundo o documento do Ministério Público, os fatos narrados poderiam configurar, em tese, infrações previstas nos artigos 147, §1º; 147-B; 344 e 359-P do Código Penal, além dos artigos 325 e 326, combinados com o artigo 327, incisos IV e V, do Código Eleitoral.

Entre os dispositivos mencionados estão normas relacionadas a ameaças, violência psicológica contra a mulher, coação no curso do processo e violência política.

A indicação desses artigos na representação, entretanto, não significa que os crimes tenham sido comprovados ou que os representados tenham sido formalmente acusados pelo Ministério Público.

A própria manifestação ministerial ressalta a necessidade de produção de provas para esclarecer a ocorrência dos fatos e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

Justiça Eleitoral já concedeu medidas protetivas a Alessandra

Antes do pedido de instauração de inquérito policial, a Justiça Eleitoral já havia adotado providências para proteger a deputada estadual.

Conforme a manifestação do Ministério Público, uma decisão do Juízo Eleitoral das Garantias deferiu medidas protetivas de urgência em favor de Alessandra Campêlo.

A decisão também determinou a preservação e a apresentação da íntegra da gravação do debate realizado pela TV Norte Amazonas, assim como das imagens do circuito interno de segurança e de registros relacionados ao material apresentado.

Essas providências buscam preservar elementos que poderão contribuir para a reconstrução dos acontecimentos e para a análise das condutas atribuídas aos envolvidos.

O procedimento teve tramitação inicial na 1ª Zona Eleitoral de Manaus e foi posteriormente remetido à 70ª Zona Eleitoral, responsável pela atuação como Juízo das Garantias no caso.

Polícia Federal poderá investigar circunstâncias dos gestos

Caso a Justiça Eleitoral acolha o pedido do Ministério Público, os autos serão encaminhados à Polícia Federal para instauração de inquérito e realização das diligências necessárias.

A investigação poderá esclarecer as circunstâncias em que ocorreram os gestos denunciados, a existência de eventual intenção de ameaçar ou intimidar e a possível configuração de infrações penais.

O Ministério Público também destacou que eventuais medidas investigativas sujeitas à autorização judicial deverão ser submetidas ao Juízo Eleitoral das Garantias.

Após a conclusão das investigações, o procedimento deverá retornar ao Ministério Público Eleitoral, que analisará os elementos reunidos e decidirá sobre as providências cabíveis.

Caso ocorreu durante debate do segundo turno

O episódio aconteceu na terça-feira (13), durante o primeiro debate do segundo turno entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL), promovido pela TV Norte Amazonas.

Alessandra Campêlo, que integra a chapa de Omar como candidata a vice-governadora, denunciou gestos atribuídos a Sargento Salazar e Kidson Maia, afirmando ter interpretado a situação como uma ameaça à sua integridade.

A repercussão levou o caso à Justiça Eleitoral, que concedeu medidas protetivas à parlamentar.

Agora, com a manifestação assinada pelo promotor Jorge Alberto Veloso Pereira, o Ministério Público busca a abertura de uma investigação policial para esclarecer os fatos.

O pedido consta do processo nº 0600028-85.2026.6.04.0001, em manifestação assinada digitalmente em Manaus, no dia 15 de outubro de 2026.

Até o momento, os documentos apresentados comprovam o pedido do Ministério Público Eleitoral, mas não demonstram que o inquérito policial já tenha sido instaurado.

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