Segundo denúncia, a UBS Fluvial Irmã Angélica Tonetta está em reforma desde julho de 2024 em um porto na Zona Leste de Manaus, enquanto comunidades ribeirinhas de Humaitá enfrentam dificuldades para ter acesso ao atendimento básico de saúde

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na reforma da Unidade Básica de Saúde Fluvial Irmã Angélica Tonetta, em Humaitá. O procedimento, assinado pelo promotor de Justiça Weslei Machado, aponta suspeitas de dano ao erário, falhas na fiscalização contratual e descontinuidade de um serviço essencial de saúde para comunidades ribeirinhas do rio Madeira.

A investigação ganhou força após a revelação de que a unidade está sem funcionamento regular desde julho de 2024, embora a prefeitura tenha informado ao MP que os atendimentos continuariam sendo realizados por meio de uma lancha improvisada. O próprio Ministério Público destacou no documento que não existe um plano formal de contingência para atender as comunidades afetadas durante a longa paralisação da UBS fluvial.

O caso se tornou ainda mais grave após a constatação de que o contrato de reforma, inicialmente firmado em R$ 882,4 mil, sofreu aditivo e reequilíbrio econômico-financeiro, saltando para R$ 1,323 milhão. O MP quer saber se os pagamentos realizados têm relação com os serviços efetivamente executados e se houve irregularidades na condução do contrato firmado entre o município e a empresa Indra Indústria e Comércio Naval Ltda.

Segundo o documento, a embarcação permanece parada em um estaleiro desde julho do ano passado, enquanto milhares de moradores ribeirinhos enfrentam dificuldades para acessar atendimento médico básico. O promotor Weslei Machado determinou uma série de diligências para apurar desde a execução da obra até a aplicação dos recursos públicos destinados à reforma da unidade.

Entre as medidas determinadas pelo MP estão pedidos de envio de notas fiscais, comprovantes de pagamentos, relatórios de fiscalização contratual, medições da obra, cronograma físico-financeiro atualizado e documentos que comprovem os serviços realizados pela empresa contratada. O órgão também quer acesso integral ao processo administrativo da contratação, incluindo pareceres técnicos, pesquisa de preços, justificativas para aditivos e documentos que embasaram o aumento milionário do contrato.

O Ministério Público ainda cobra explicações da Secretaria Municipal de Saúde sobre quais comunidades ficaram sem atendimento regular durante o período em que a UBS fluvial esteve fora de operação. O órgão quer saber quanto tempo essas populações ficaram desassistidas e quais medidas foram tomadas para evitar o colapso do atendimento médico nas áreas ribeirinhas.

A denúncia sobre o abandono da UBS já havia sido feita pelo vereador Sargento De Macêdo (PL), em junho do ano passado. Na ocasião, o parlamentar divulgou imagens da embarcação atracada no Porto da Indra, em Manaus, sem sinais aparentes da reforma prometida pela prefeitura de Humaitá. O vereador afirmou que a unidade parecia “mais abandonada do que em reforma” e denunciou o impacto direto da paralisação sobre moradores das comunidades do rio Madeira.

O MP também requisitou informações à empresa responsável pela obra sobre o estágio atual dos serviços, percentual executado, razões da permanência da embarcação no estaleiro e previsão real de entrega da unidade. Dependendo das respostas e dos documentos apresentados, o caso pode resultar em recomendação, ação judicial, comunicação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e até responsabilização por improbidade administrativa.

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