
A prisão de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, lançou novos detalhes sobre o assassinato do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Atala Inácio, de 76. A suspeita foi detida na madrugada desta quinta-feira (3), em Itabira (MG), e confessou o crime durante depoimento à Polícia Civil.
O casal foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, vítima de múltiplos golpes de faca.
Diarista era conhecida por dedicação
Paola havia sido indicada para trabalhar na residência das vítimas por um advogado que já a empregava como diarista desde outubro de 2025. Segundo ele, a mulher demonstrava responsabilidade, organização e mantinha boa relação com os empregadores.
O advogado relatou que, durante o período em que trabalhou em sua residência, Paola era considerada cuidadosa, frequentemente preparava refeições, organizava a casa e, em algumas ocasiões, levava o filho de seis anos ao trabalho.
Ele também contou que chegou a ajudá-la financeiramente após ela relatar ameaças relacionadas a dívidas.
Comportamento mudou nos últimos meses
De acordo com o relato do ex-patrão, a suspeita apresentou mudanças significativas de comportamento após retornar de uma viagem realizada há cerca de dois meses.
Segundo ele, Paola passou a apresentar instabilidade emocional, irritabilidade e fazia uso frequente de medicamentos controlados, chegando a enviar mensagens informando a quantidade de comprimidos ingeridos.
Familiares também afirmaram que ela enfrentava problemas emocionais, embora fosse conhecida por demonstrar religiosidade e manter uma rotina considerada tranquila.
Dívidas são investigadas como possível motivação
As investigações apontam que Paola acumulava dívidas, principalmente relacionadas a apostas on-line. Conforme a apuração, familiares chegaram a reunir aproximadamente R$ 40 mil para quitar débitos com agiotas.
A defesa informou que a suspeita possui histórico de tratamento psiquiátrico, incluindo uso contínuo de medicamentos e internações anteriores.
Crime ocorreu no primeiro dia de trabalho
Segundo a Polícia Civil, Paola iniciou os serviços na residência do casal no mesmo dia em que os assassinatos aconteceram.
Imagens de câmeras de segurança mostram que ela entrou no prédio durante a manhã e permaneceu no local por cerca de oito horas.
Após deixar o apartamento, a suspeita entrou em contato com o advogado que a havia indicado, afirmando que Maria Clotilde estaria passando mal. No entanto, pediu que ele não tentasse contato com o marido da vítima. No dia seguinte, ela não compareceu ao trabalho e deixou de atender às ligações.
Confissão e versão apresentada
Durante o interrogatório, Paola confessou o crime e afirmou ter sofrido um surto psicótico.
Segundo a polícia, ela teria colocado comprimidos de um medicamento utilizado para tratar transtornos psiquiátricos em uma bebida oferecida ao casal. Em seguida, desferiu 17 facadas contra Cláudio Atala Inácio e sete golpes em Maria Clotilde Atala Inácio.
A suspeita declarou que não entrou no imóvel com a intenção inicial de roubar, mas afirmou ter decidido levar os bens após o crime. Entre os objetos subtraídos estavam aproximadamente R$ 18 mil em dinheiro, além de joias, relógios e celulares. Parte dos itens foi vendida pouco tempo depois em Belo Horizonte.
Investigações continuam
Apesar da prisão da suspeita, a Polícia Civil informou que o caso permanece em investigação. Os agentes apuram se houve participação de outras pessoas na ação criminosa, a dinâmica completa dos fatos e a motivação do crime.
A defesa de Paola manifestou solidariedade aos familiares das vítimas e informou que apresentará seus argumentos durante o andamento do processo, destacando o histórico de saúde mental da acusada.
O filho de seis anos da investigada permanece sob os cuidados de familiares.







