
O Largo São Sebastião, no Centro de Manaus, foi tomado por bandeiras vermelhas, manifestações culturais e discursos políticos na tarde deste domingo (11), durante um ato em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com forte participação da juventude, a mobilização teve como principal objetivo ampliar o apoio ao petista e conquistar votos de eleitores que não escolheram Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
Batizada de “Vira Vira Lula”, a manifestação reuniu apoiadores do presidente nas proximidades do Teatro Amazonas, com concentração que se estendeu pela Rua 10 de Julho e vias do entorno. A mobilização integrou uma série de atos nacionais em apoio à candidatura petista, incluindo uma manifestação semelhante realizada em São Paulo, com a participação de Lula.
Apesar da vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, os participantes demonstraram confiança na possibilidade de uma mudança no resultado da eleição marcada para 25 de outubro.
O ambiente foi marcado por músicas, palavras de ordem, rostos pintados, bandeiras e leques distribuídos entre os manifestantes. Jovens participaram ativamente da mobilização, dando ao ato um caráter festivo.
A segurança foi reforçada com viaturas, policiais militares e tropa montada. Segundo as informações da manifestação, não houve registro de episódios de violência durante o evento.
Marcelo Ramos diz que Lula pode contrariar novamente a história
Um dos discursos de destaque foi o do ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT), que defendeu a possibilidade de Lula reverter o resultado do primeiro turno.
Ramos lembrou episódios da trajetória política do presidente, destacando sua origem operária, as três eleições para a Presidência da República e a vitória sobre Jair Bolsonaro (PL), então presidente, em 2022.
Ao comentar a dificuldade histórica de um candidato que termina o primeiro turno na segunda posição vencer a disputa presidencial, o ex-parlamentar afirmou que Lula já superou outras barreiras na política brasileira.
“O Lula é o homem que nasceu para derrotar os ‘nuncas’ e agora é última vez que nunca alguém que ficou em segundo ganhou a eleição”, declarou Marcelo Ramos.
A fala foi recebida como uma mensagem de confiança pelos participantes, que defendem a ampliação do diálogo com eleitores de diferentes posições políticas nesta reta final de campanha.
PCdoB defende diálogo com eleitores de direita e de esquerda
O presidente estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Yann Evanovick, também destacou a necessidade de ampliar a mobilização para além dos grupos que já apoiam Lula.
Durante o discurso, ele afirmou que o ato reunia pessoas com diferentes posicionamentos ideológicos, unidas, segundo sua avaliação, pela preocupação com os rumos da democracia brasileira.
“Aqui tem pessoas de esquerda, mas também tem pessoas de direita. Vejo várias pessoas que não são de esquerda, mas que sabem dos riscos que a democracia brasileira está correndo. Aqueles que defendem a Constituição brasileira sabem da necessidade de se juntar para defender o Brasil. Que esse país não vire quintal dos Estados Unidos da América”, afirmou.
Evanovick também defendeu que os apoiadores não concentrem seus esforços apenas em convencer pessoas que já votam no presidente.
Segundo ele, a prioridade deve ser alcançar eleitores indecisos ou que votaram em outros candidatos no primeiro turno.
O dirigente partidário afirmou, durante a manifestação, que mais de 50 mil pessoas já haviam chegado ao local antes da caminhada prevista para as 17h. O número é uma estimativa apresentada pelo próprio dirigente e não foi acompanhado, nas informações disponibilizadas, de levantamento independente.
Fim da escala 6×1 também ganha destaque na manifestação
Além da disputa presidencial, a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 esteve entre as principais reivindicações levantadas pelos participantes.
A proposta, que trata da redução da jornada de trabalho e da ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores, ganhou espaço nas palavras de ordem entoadas durante a concentração.
“Trabalhador, preste atenção, a 6×1 só é boa pro patrão”, gritavam os manifestantes.
A pauta foi incorporada aos discursos de representantes de movimentos sociais, entidades estudantis e organizações sindicais presentes no Largo São Sebastião.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Valdemir Santana, esteve entre os participantes que discursaram no evento.
A mobilização também contou com a participação da porta-estandarte Marcela Marialva e da atriz Rosa Malagueta, que fez críticas a artistas identificados com o bolsonarismo e à relação deles com políticas públicas de incentivo à cultura.
Juventude lidera mobilização no Centro de Manaus
O ato foi impulsionado por lideranças da União dos Estudantes do Estado do Amazonas (UEE-AM), da União da Juventude Socialista (UJS), além de coletivos e representantes partidários.
A presença de estudantes e jovens militantes foi uma das características mais marcantes da concentração, que transformou o Largo São Sebastião em um espaço de manifestações políticas e culturais.
Com bandeiras, cartazes e rostos pintados, os participantes defenderam a candidatura de Lula e a mobilização de eleitores para o segundo turno.
A concentração também reuniu representantes de movimentos sindicais e organizações sociais, que aproveitaram o evento para apresentar reivindicações relacionadas ao trabalho, à democracia e às políticas públicas.
Aposta na virada marca reta final do segundo turno
A manifestação ocorreu duas semanas antes da votação decisiva, marcada para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.
O candidato do PL terminou o primeiro turno à frente do atual presidente, resultado que levou os apoiadores petistas a intensificarem a campanha pelo chamado vira-voto.
Em Manaus, o ato deste domingo foi apresentado pelos organizadores como parte dessa estratégia de mobilização, com a participação de movimentos estudantis, lideranças partidárias e representantes da sociedade civil.
Entre discursos, músicas e palavras de ordem, a concentração no Largo São Sebastião demonstrou a disposição dos participantes de ampliar o diálogo político e buscar novos apoios até o dia da votação.







