Empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, brasileiro sancionado pelos EUA por suposta ligação com o PCC - Reprodução

Apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos principais operadores financeiros do crime organizado, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, atualmente foragido, utilizou mais de 70 empresas de fachada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, segundo as investigações da Operação Exchange.

Shimada também foi alvo de sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. De acordo com as autoridades norte-americanas, ele atuava como elo financeiro entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Flórida e traficantes internacionais.

As investigações apontam que o empresário teria movimentado mais de US$ 30 milhões — cerca de R$ 155 milhões — em recursos ilícitos por meio de criptomoedas, com posterior envio dos valores ao Brasil.

Segundo a PF, o esquema utilizava uma estrutura com mais de 70 empresas de fachada para ocultar a origem e o destino dos recursos, dificultando o rastreamento das transações financeiras e conferindo aparência de legalidade ao dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

Empresas aparecem em investigação sobre contrato do Corinthians

As apurações também identificaram que empresas ligadas a Shimada, entre elas a Victory Trading e a Wave Construções Inteligentes, aparecem em outra investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos desviados do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Shimada, dirigentes do clube e outros investigados respondem por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.

A acusação sustenta que o desvio de R$ 1,4 milhão ocorreu após a inclusão de um intermediário fictício — a empresa Rede Social Media Design, ligada a Alex Fernando André, conhecido como “Alex Cassundé” — no contrato de patrocínio.

Ainda conforme a investigação, os recursos passaram por diversas empresas de fachada, entre elas a Neoway e a Wave Construções Inteligentes, antes de chegarem à agência de jogadores UJ Football Talent, em uma sequência de operações que teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro.

Sanções dos EUA e bloqueio bilionário de bens

Além de Shimada, os Estados Unidos também aplicaram sanções contra Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como parente e ex-secretária do empresário.

Segundo o governo norte-americano, ela prestava apoio logístico ao esquema, intermediando a movimentação de grandes quantias em dinheiro em espécie. Também foram sancionadas empresas ligadas ao grupo, entre elas a Pixwave, no Brasil, e a transportadora portuguesa Avenidas Flutuantes.

As sanções foram anunciadas poucos dias após o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que essa decisão levou a corporação a antecipar a deflagração da Operação Exchange, o que, segundo ele, prejudicou parte das investigações e contribuiu para a fuga de Shimada.

Apesar disso, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 10,4 bilhões em bens, ativos financeiros e criptomoedas dos investigados.

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que a medida pode produzir efeitos sobre instituições financeiras brasileiras e defendeu que o enfrentamento ao crime organizado ocorra por meio da cooperação internacional.

Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, alertou para possíveis impactos sobre a soberania nacional e sobre sistemas de pagamento brasileiros caso instituições financeiras do país venham a ser alvo de sanções estrangeiras.

Com informações de CNN Brasil

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