
A Polícia Federal (PF) entregou nesta quinta-feira (17) aos gabinetes dos ministros Luiz Fux e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O conteúdo é o mesmo que a corporação havia disponibilizado, na segunda-feira (14), aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. A entrega ocorre em meio à discussão entre integrantes da Corte sobre o acesso aos dados apreendidos durante as investigações relacionadas ao chamado Caso Master.
Fux e Mendonça haviam solicitado acesso ao material na quarta-feira (16), após uma sessão do Supremo que tratou dos desdobramentos de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
A sessão terminou sem uma definição sobre a abertura de uma investigação relacionada ao episódio. O julgamento foi interrompido após um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino.
Dados estavam sob custódia da PF e do STF
A discussão sobre o acesso ao conteúdo ganhou força antes da sessão realizada na terça-feira (15). Na ocasião, Cristiano Zanin havia solicitado a André Mendonça, relator do Caso Master, acesso aos dados extraídos do aparelho.
Mendonça respondeu que os elementos considerados necessários para a análise já estavam disponíveis e afirmou que a divulgação integral do material poderia “tumultuar” a sessão.
Segundo o ministro, uma cópia completa dos dados estava em seu gabinete, mas permanecia lacrada.
Posteriormente, a Polícia Federal comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, que também mantinha uma cópia do conteúdo e poderia disponibilizar versões idênticas aos ministros sem comprometer a cadeia de custódia.
Diante disso, Zanin e Gilmar Mendes solicitaram diretamente à PF o acesso à íntegra dos dados.
Mensagens citam familiares e ministros
Após a disponibilização do material ao Supremo, vieram a público conversas atribuídas a Daniel Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, além de diálogos nos quais há referências ao ministro Kassio Nunes Marques.
Durante a sessão de terça-feira, André Mendonça afirmou que tomou conhecimento das referências aos colegas naquele momento. O ministro também reiterou que o material que estava em seu gabinete permanecia lacrado.
A divulgação das mensagens aumentou a repercussão do Caso Master dentro do Supremo. As interpretações sobre os diálogos, no entanto, permanecem sob controvérsia e dentro do contexto das investigações em andamento.
Divergências no Supremo
A discussão sobre os dados do celular ocorre paralelamente a divergências entre ministros do STF relacionadas à condução de questões envolvendo o Caso Master.
Na sessão de terça-feira (15), o plenário analisou uma questão de ordem relacionada a duas petições do processo. A análise foi interrompida após o pedido de vista de Flávio Dino, e o mérito das petições ainda não foi definido.
No decorrer da sessão, Gilmar Mendes fez críticas públicas à atuação de Mendonça e Fux em questões relacionadas à tramitação do caso. Mendonça rebateu e afirmou haver, segundo sua avaliação, uma preocupação seletiva com a exposição de terceiros mencionados nas mensagens.
Com a entrega realizada nesta quinta-feira, Luiz Fux e André Mendonça passam a ter acesso formal à íntegra do mesmo conjunto de dados que a PF já havia encaminhado a Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.







