Leonardo Amaro/Metrópoles

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro das atenções nesta quinta-feira (21) após ser presa durante a Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Com a repercussão do caso, uma entrevista concedida por ela em 2022 voltou a circular nas redes sociais.

Na ocasião, Deolane Bezerra afirmou que já atuou na defesa de integrantes da facção criminosa e declarou preferir “clientes grandes”, alegando que eles pagavam honorários mais altos.

“Advogo para pessoas e não para uma facção. Um advogado criminalista em São Paulo não tem como afirmar que nunca advogou para um membro do PCC, a não ser que você advogue para clientes baixos. Eu prefiro os grandes, que me pagam bem”, disse a influenciadora durante entrevista ao UOL.

Segundo a investigação da Polícia Civil, a advogada teria desempenhado papel importante em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora apontada como braço financeiro da facção criminosa.

Além de Deolane Bezerra, a operação também teve como alvo Marcola, apontado como líder máximo do PCC, além de familiares ligados ao esquema.

Operação começou após descoberta de bilhetes em presídio

As investigações tiveram início após agentes penitenciários encontrarem manuscritos escondidos na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Os bilhetes continham informações sobre a dinâmica interna da facção, ordens relacionadas ao tráfico de drogas dentro do sistema prisional e até planos de atentados contra agentes públicos.

Um dos manuscritos fazia referência a uma “mulher da transportadora”, que teria fornecido informações sobre um possível alvo do grupo criminoso. A partir disso, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes instalada ao lado do presídio e iniciou uma nova fase da investigação.

Durante a Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, a polícia apreendeu celulares e analisou trocas de mensagens entre investigados ligados ao PCC. Segundo os investigadores, o conteúdo revelou indícios de repasses financeiros para Deolane Bezerra e apontou relações pessoais e comerciais dela com um dos gestores da transportadora.

Polícia aponta movimentações financeiras incompatíveis

De acordo com o relatório da investigação, a influenciadora teria utilizado empresas e sua projeção pública para conferir aparência de legalidade a recursos provenientes do crime organizado.

A Polícia Civil afirma que a quebra de sigilos bancários revelou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pela advogada, além da existência de operações envolvendo empresas sem capacidade financeira aparente.

As autoridades também identificaram aquisição e movimentação de bens de luxo, incluindo imóveis e veículos de alto padrão.

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em ativos financeiros dos investigados, além do sequestro de 17 veículos de luxo e quatro imóveis ligados ao grupo investigado.

Clã Camacho também foi alvo da operação

Além de Marcola, familiares do líder da facção também foram citados na investigação.

Segundo a Polícia Civil, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior teria exercido papel central no controle da transportadora investigada, mesmo preso no sistema federal.

Paloma Sanches Herbas Camacho é apontada como intermediadora de ordens da cúpula do PCC para operadores financeiros do esquema. Ela é considerada foragida e estaria na Europa.

Outro investigado é Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, apontado como beneficiário direto de parte dos recursos movimentados pela organização criminosa.

As investigações continuam e buscam desarticular a estrutura financeira da facção criminosa.

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