
Moradores de 37 aldeias Mura de Autazes passarão a contar com acesso à internet e equipamentos de informática por meio do Projeto Aldeia Mura Conectada, iniciativa que pretende reduzir os efeitos das grandes distâncias amazônicas sobre o acesso à educação, comunicação e formação profissional. Além da instalação da estrutura tecnológica, 148 indígenas serão capacitados em informática.
Os equipamentos foram entregues nesta sexta-feira (14) a representantes das comunidades. Cada aldeia recebeu um kit formado por uma antena Starlink e um notebook, criando pontos de conectividade que poderão ser utilizados pelos moradores.
A iniciativa foi proposta pelo Conselho Indígena Mura (CIM) e é desenvolvida em parceria com a Potássio do Brasil. O projeto faz parte do Plano Bem Viver Mura, que reúne ações sociais, culturais, de geração de renda e fortalecimento institucional nas comunidades indígenas de Autazes.
Um dos principais objetivos é ampliar as possibilidades para estudantes que enfrentam dificuldades de deslocamento e dependem da internet para acessar cursos, universidades e outras modalidades de ensino a distância.
148 indígenas serão capacitados
A entrega dos equipamentos é apenas uma das etapas do projeto. Cada uma das 37 aldeias terá quatro indígenas capacitados em informática, totalizando 148 participantes.
A proposta é fazer com que moradores das próprias comunidades tenham conhecimento para utilizar as ferramentas e contribuir para a disseminação da formação digital dentro das aldeias.
O diretor de Projetos da Potássio do Brasil, Raphael Bloise, afirmou que a iniciativa surgiu de demandas apresentadas pelo Conselho Indígena Mura.
“Mais do que entregar equipamentos, o projeto associa infraestrutura à capacitação, criando condições para que a tecnologia possa ser utilizada pelas próprias comunidades”, afirmou.
O presidente do CIM, Kleber Mura, também destacou que as necessidades apresentadas pelas aldeias orientaram a elaboração da iniciativa.
“A Potássio do Brasil respeita nossas decisões e as necessidades apresentadas por cada aldeia. A empresa acolheu essa causa”, declarou.
Distância ainda é obstáculo para estudantes
Para os estudantes indígenas, a conectividade pode representar principalmente uma nova porta de acesso à educação.
O coordenador da Organização dos Estudantes Indígenas Mura, Aldeir Carvalho, chamou atenção para as dificuldades impostas pela geografia do Amazonas e citou sua própria experiência com o ensino a distância.
“A logística do nosso estado faz com que nossas aldeias fiquem muito distantes. Esse projeto conectará as comunidades para levar educação e formação tecnológica”, afirmou.
Carvalho contou que concluiu recentemente sua formação em Tecnologia em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por meio da educação a distância.
Jovens esperam novas oportunidades
A expectativa de ampliar o acesso à qualificação também foi destacada por jovens das comunidades contempladas.
Daimeson Cascais, da comunidade Guapenú, avaliou que a conexão deverá beneficiar principalmente quem estuda remotamente ou procura cursos de capacitação.
“Esse projeto facilitará muito a vida dos estudantes, principalmente de quem estuda a distância ou busca capacitação”, disse.
Também da Guapenú, Ana Kezia Esmealdo destacou que a formação digital pode abrir caminhos para oportunidades profissionais.
“Esse projeto é importante para mim e para minha aldeia porque leva conhecimento e pode ampliar as oportunidades de emprego, que ainda são muito difíceis para nós”, afirmou.
Allana de Oliveira, da aldeia Multirão, ressaltou a possibilidade de utilizar a tecnologia para desenvolver novas iniciativas dentro das próprias comunidades.
“Esse projeto é importante para nós, jovens, porque, por meio dele, poderemos desenvolver iniciativas que contribuirão para a nossa vida e para a comunidade”, disse.
Plano reúne outras ações
O Aldeia Mura Conectada integra o Plano Bem Viver Mura, atualmente em desenvolvimento a partir de propostas do Conselho Indígena Mura.
O programa contempla iniciativas nas áreas social, cultural, de geração de renda e de fortalecimento institucional das comunidades participantes, com apoio da Potássio do Brasil.
Com a combinação de internet, equipamentos e capacitação, o novo projeto busca fazer da conectividade uma ferramenta para aproximar as aldeias, facilitar o acesso ao conhecimento e ampliar oportunidades para estudantes e demais moradores das comunidades Mura de Autazes.







