
Um recorte da pesquisa Quaest divulgado neste domingo (6) aponta que não estar envolvido em escândalos de corrupção e demonstrar compromisso com a democracia são os principais critérios considerados pelos eleitores na escolha de um candidato à Presidência da República. A ausência de envolvimento com corrupção aparece em primeiro lugar, com 31% das citações, seguida pelo compromisso com a democracia, mencionado por 28% dos entrevistados. Em terceiro está a postura firme no combate à violência e ao crime, com 15%.
A pesquisa mostra que temas diretamente ligados à polarização política têm peso menor na decisão do eleitor. Ser crítico ao Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, foi apontado por apenas 2% dos entrevistados como uma das características mais importantes para escolher um candidato. O resultado ocorre em meio à crise envolvendo ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Na sequência dos critérios considerados mais relevantes aparecem experiência na política, com 9%, ser religioso, com 4%, não ter sido político anteriormente, com 2%, e ser crítico ao STF, também com 2%.
Confira a lista completa dos fatores mais importantes para a escolha do candidato:
Não estar envolvido com corrupção: 31%;
Ter compromisso com a democracia: 28%;
Ser duro no combate à violência e ao crime: 15%;
Ser experiente na política: 9%;
Ser religioso: 4%;
Não ter sido político antes: 2%;
Ser crítico ao STF: 2%;
Ser crítico ao Congresso: 1%;
Ser aliado do Congresso: 1%;
Ser aliado do STF: 0%;
Nenhuma dessas características: 3%;
Não sabe ou não respondeu: 4%.
Diferenças entre os grupos de eleitores
O levantamento também analisou as respostas de acordo com a identificação política dos entrevistados. Entre os eleitores que se declaram lulistas, o compromisso com a democracia aparece como o principal critério, citado por 29%. Na sequência, a ausência de envolvimento com corrupção e a experiência prévia na política aparecem empatadas como prioridades.
Entre os eleitores identificados como bolsonaristas, a rejeição à corrupção ocupa a primeira posição. O compromisso com a democracia e a atuação firme no combate à violência e ao crime aparecem empatados logo depois.
Já entre os eleitores considerados independentes, o resultado apresenta uma distribuição semelhante. O compromisso com a democracia ocupa a segunda posição de forma isolada, enquanto o combate à violência e à criminalidade aparece em terceiro lugar.
A pesquisa também perguntou aos entrevistados qual característica seria mais determinante para que eles decidissem não votar de maneira alguma em determinado candidato. Nesse cenário, o envolvimento com corrupção aparece com ainda mais força.
Para 40% dos entrevistados, estar envolvido com corrupção seria o principal motivo para rejeitar completamente um candidato. Em segundo lugar está a falta de compromisso com a democracia, mencionada por 21%. Ser considerado fraco no combate à violência e ao crime aparece em terceiro, com 13%.
Os demais fatores tiveram percentuais significativamente menores. Não ter experiência na política foi apontado por 5%, enquanto não ser religioso e ser aliado do STF registraram 3% cada.
Confira os motivos que mais levariam o eleitor a não votar em um candidato:
Estar envolvido com corrupção: 40%;
Não ter compromisso com a democracia: 21%;
Ser fraco no combate à violência e ao crime: 13%;
Não ser experiente na política: 5%;
Não ser religioso: 3%;
Ser aliado do STF: 3%;
Ter sido político antes: 2%;
Ser aliado do Congresso: 2%;
Ser crítico ao Congresso: 1%;
Ser crítico ao STF: 1%;
Nenhuma dessas características: 3%;
Não sabe ou não respondeu: 6%.
Os números indicam que corrupção e democracia aparecem como os dois principais eixos que influenciam tanto a escolha quanto a rejeição de candidatos. Enquanto 31% consideram a ausência de envolvimento com corrupção o fator mais importante para escolher em quem votar, o percentual sobe para 40% quando a pergunta trata da característica que poderia levar o eleitor a rejeitar completamente um candidato.
A pesquisa foi realizada pela Quaest com 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026 e foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo.







