Reuters

A reconstrução da Faixa de Gaza deverá exigir cerca de US$ 71,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 368,9 bilhões, ao longo da próxima década. A estimativa foi apresentada nesta quarta-feira (23) pelo Conselho de Paz, grupo liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

O valor calculado pelo Conselho de Paz é semelhante à estimativa apresentada anteriormente pela Organização das Nações Unidas (ONU), que apontou a necessidade de pelo menos US$ 70 bilhões para reconstruir a região após a destruição provocada pelo conflito entre Israel e Hamas.

O Conselho também apresentou um plano inicial de US$ 2,45 bilhões para dar início aos trabalhos de reconstrução. A proposta reúne 66 programas destinados à recuperação da infraestrutura e da atividade econômica de Gaza, incluindo a construção de abrigos para a população, instalação de geradores a diesel e reconstrução de hospitais e outras estruturas essenciais.

O projeto foi apresentado como uma iniciativa de longo prazo, diante da dimensão dos danos provocados pelo conflito. Durante a apresentação em Nova York, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a reconstrução não poderá ser concluída em poucos meses e dependerá da participação de diferentes setores e países.

Segundo estimativas citadas no plano, os bombardeios israelenses produziram aproximadamente 55 milhões de toneladas de escombros em Gaza. O volume é equivalente a cerca de 13 vezes o tamanho das pirâmides de Gizé, no Egito, e representa um dos principais desafios para a recuperação da região.

Além da retirada dos destroços, a reconstrução deverá envolver a recuperação de hospitais, redes de energia e abastecimento, moradias, vias públicas e outras estruturas fundamentais para o funcionamento das cidades e para o atendimento à população.

O Conselho de Paz foi criado para atuar nas negociações relacionadas ao conflito e teve participação no acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas anunciado em outubro de 2025. O entendimento interrompeu os combates em larga escala, mas não eliminou completamente a ocorrência de ataques na região. Desde então, as negociações para um acordo de paz definitivo continuam sem uma solução permanente.

A situação humanitária permanece como um dos principais obstáculos para a recuperação de Gaza. A guerra provocou danos extensos à infraestrutura e deixou grande parte da população dependente de estruturas improvisadas para moradia e atendimento de necessidades básicas.

Mais de 2 milhões de pessoas vivem no território palestino, muitas delas concentradas em uma área reduzida do enclave. Parte significativa da população permanece em barracas ou em espaços superlotados dentro de edifícios danificados, em meio às áreas atingidas pelos combates.

A destruição também tornou mais complexa a retomada dos serviços básicos. Hospitais, sistemas de abastecimento e outras estruturas essenciais foram afetados pelo conflito, aumentando a necessidade de investimentos para que a região possa recuperar condições mínimas de funcionamento.

Apesar do plano apresentado, ainda existem incertezas sobre a execução do projeto. Israel e Hamas continuam divergindo sobre os termos de um acordo de paz definitivo, o que pode influenciar diretamente a segurança e as condições necessárias para a realização das obras.

A continuidade dos confrontos e a falta de uma solução política definitiva também dificultam a definição de um cronograma para a reconstrução. O plano apresentado pelo Conselho de Paz depende, portanto, de condições de segurança e de acordos que permitam a entrada de recursos, materiais e equipes na região.

Na última semana, dezenas de pessoas morreram após o desabamento de um edifício residencial que havia sido atingido durante a guerra. O episódio reforçou os riscos enfrentados pela população que permanece em áreas onde estruturas foram severamente danificadas.

Com o levantamento de US$ 71,4 bilhões, o Conselho de Paz apresenta uma dimensão financeira para o processo de reconstrução que deverá se estender por anos. A primeira etapa, estimada em US$ 2,45 bilhões, concentra-se em medidas emergenciais e na recuperação de serviços essenciais, enquanto as demais fases dependerão da evolução das condições de segurança e das negociações políticas.

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