
Os reembolsos de tarifas de importação cobradas durante o governo do presidente Donald Trump e posteriormente consideradas ilegais pela Justiça contribuíram para elevar o déficit orçamentário dos Estados Unidos para US$ 120 bilhões em junho. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (13) pelo Departamento do Tesouro norte-americano e mostram uma mudança significativa em relação ao mesmo mês de 2025, quando o país registrou superávit de US$ 27 bilhões impulsionado pela arrecadação com tarifas comerciais.
Segundo o balanço oficial, o governo arrecadou US$ 23,6 bilhões em tarifas de importação ao longo de junho. No mesmo período, porém, desembolsou US$ 49,2 bilhões para ressarcir importadores afetados por cobranças consideradas irregulares pela Justiça. Com isso, apenas essa categoria gerou um saldo negativo de US$ 25,6 bilhões nas contas públicas.
Os pagamentos decorrem de decisões judiciais que determinaram a devolução de tarifas aplicadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em junho, o volume de reembolsos mais que dobrou em comparação com maio, quando haviam sido pagos US$ 22 bilhões aos importadores.
Somados, os valores restituídos nos meses de maio e junho já chegam a aproximadamente US$ 71 bilhões, o equivalente a cerca de 42% dos US$ 166 bilhões arrecadados por meio das tarifas que passaram a ser contestadas nos tribunais.
Enquanto realiza as devoluções, o governo dos Estados Unidos prepara uma nova etapa de sua política comercial. A tarifa global temporária de 10% implementada pela administração Trump tem previsão de expirar em 24 de julho, enquanto a Casa Branca avalia a adoção de novas medidas voltadas ao comércio exterior.
Entre os argumentos apresentados pelo governo para manter ou reformular a política tarifária estão o combate ao que considera falhas na fiscalização de práticas de trabalho forçado em outros países e a necessidade de enfrentar o excesso de capacidade industrial de alguns mercados internacionais.
As decisões da Justiça também aumentaram a pressão sobre o governo federal. Em um dos processos, um juiz criticou os recursos apresentados pela administração norte-americana, afirmando que eles estariam retardando o pagamento dos valores devidos às empresas importadoras.
Em junho de 2025, quando a arrecadação com tarifas ainda fortalecia as receitas federais, o então secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos estavam obtendo os benefícios da política tarifária. Um ano depois, no entanto, a necessidade de devolver parte dos valores arrecadados reduziu esse impacto fiscal positivo e contribuiu para o aumento do déficit nas contas públicas.







