
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a Voepass adotava procedimentos que mascaravam falhas técnicas em suas aeronaves, permitindo que aviões continuassem operando mesmo sem a correção definitiva dos problemas.
O documento, divulgado na última quinta-feira (23), aponta que a companhia registrava panes como solucionadas após testes operacionais, sem que os reparos necessários fossem efetivamente realizados. Segundo a investigação, a prática fazia com que as mesmas falhas voltassem a ser registradas em voos posteriores.
Falhas eram registradas como resolvidas
De acordo com o Cenipa, a empresa utilizava procedimentos previstos na Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) para manter aeronaves em operação dentro dos prazos permitidos. No entanto, quando esses prazos expiravam, a solução adotada frequentemente consistia apenas na realização de testes operacionais e no registro de que o sistema estava funcionando.
Na prática, segundo o relatório, isso permitia renovar sucessivamente o prazo para correção das panes sem eliminar a causa do problema.
O Cenipa afirma que a conduta “mascarava o caráter crônico” das falhas e adiava a solução definitiva dos defeitos técnicos.
Aeronave não deveria ter decolado
A investigação também concluiu que o ATR-72, matrícula PS-VPB, não deveria ter sido autorizado a decolar no dia 9 de agosto de 2024.
Segundo o relatório, a aeronave operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável por evitar o acúmulo de gelo na estrutura do avião, inoperante. Nessas condições, caso houvesse risco de formação de gelo durante o trajeto, o voo não poderia ser realizado.
O avião fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas para formação de gelo durante o voo de cruzeiro.
Ainda conforme o Cenipa, o acúmulo de gelo comprometeu o desempenho da aeronave, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial de Vinhedo (SP).
O acidente deixou 62 mortos, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.
Voepass diz colaborar com as investigações
Em nota, a Voepass afirmou que atua de forma transparente desde o início das investigações e que permanece à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos.
A empresa destacou que o acidente foi o episódio mais difícil de sua história e ressaltou que possui mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, além de manter certificação IOSA desde 2012.
A companhia também informou que a tripulação do voo era experiente, certificada e contava com treinamentos técnicos e avaliações de saúde atualizados.







