ROMA, 22 AGO (ANSA) – O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia acusou a Ucrânia de estar por trás do assassinato da jornalista e analista política Darya Dugina, filha do proeminente filósofo de extrema direita Alexander Dugin e morta em uma explosão no último sábado (20).  

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (22), o FSB diz que o atentado foi planejado pelos serviços secretos de Kiev e executado por uma ucraniana identificada como Natalia Pavlovna Vovk, de 43 anos.   

A suspeita teria chegado na Rússia em 23 de julho, com sua filha Sofia Mikhailovna Shaban, 12, e saído do país através da fronteira com a Estônia na província de Pskov.  

“Como resultado de um conjunto de medidas urgentes, o Serviço Federal de Segurança desvendou o assassinato da jornalista russa Darya Dugina”, diz o comunicado do FSB, citado pela agência estatal Tass.   

“O crime foi preparado e cometido pelos serviços especiais ucranianos”, acrescenta o departamento de inteligência da Rússia. Ainda de acordo com o FSB, Vovk e Shaban estavam no mesmo festival do qual Dugina e seu pai haviam participado como convidados de honra, no sábado.   

A analista política foi vítima de uma bomba instalada no automóvel que ela dirigia – um Toyota Land Cruiser Prado em nome de Dugin – e acionada à distância. O crime ocorreu quando Dugina passava pelo vilarejo de Velyki Vyazomi, nos arredores de Moscou, voltando do festival.   

A jornalista e seu pai deveriam viajar no mesmo automóvel, mas, no último instante, Dugin teria decidido ir em um carro separado. Segundo o FSB, Vovk chegou a alugar um apartamento em Moscou no mesmo condomínio onde Dugina residia para monitorar seus passos.   

A ucraniana será inserida em uma lista de procurados pela Rússia, que deve tentar conseguir sua extradição.  

No último domingo (21), Mikhailo Podolyak, principal conselheiro do presidente Volodymyr Zelensky, disse que a Ucrânia não tinha “nada a ver” com o atentado. “Não somos um Estado criminoso, diferentemente da Rússia”, declarou.   

Dugin é conhecido por suas opiniões antiocidentais e de extrema direita e, nos últimos anos, passou a ser identificado pela imprensa europeia e americana como um dos inspiradores da política externa ultranacionalista de Putin, embora a mídia russa o considere uma figura “marginal”.   

Dugina, por sua vez, era uma analista política de destaque e apoiadora da invasão russa à Ucrânia, o que a levou a ser sancionada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.   

Por meio de um comunicado, o presidente Putin definiu o crime como “vil e cruel” e disse que Dugina era uma “pessoa brilhante e talentosa”. “Um verdadeiro coração russo, gentil, amoroso, compreensivo e aberto. Ela demonstrou com fatos o que significa ser patriota”, acrescentou.   

Já Dugin publicou uma mensagem no Telegram acusando o “regime nazista ucraniano” pela morte de sua filha.   

“Era uma bela garota ortodoxa, patriota, correspondente militar, especialista em questões centrais e filosofia. Seus discursos sempre foram profundos, com fundamento e moderados. Ela nunca invocou a violência e a guerra. Era uma estrela nascente no início de sua viagem”, disse.   

O ideólogo ultranacionalista ainda afirmou que a “simples vingança” pela morte de Dugina não bastará. “Isso é muito mesquinho, não russo. Precisamos é da nossa vitória. Minha filha depôs sua vida de virgem no altar, então vençamos, por favor”, concluiu. (ANSA).   

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