
A primeira-dama do Amazonas e presidente de honra do Fundo de Promoção Social (FPS), Thaisa Cidade, defendeu nesta sexta-feira (7) que ampliar o acesso das mulheres à informação e aos seus direitos é uma das ferramentas para ajudá-las a romper o ciclo da violência e buscar proteção.
A declaração ocorreu durante a abertura da programação do Agosto Lilás, no Parque Rio Negro, bairro São Raimundo, Zona Oeste de Manaus. Neste ano, a campanha estadual de enfrentamento à violência contra a mulher também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha.
“Esse tipo de iniciativa é muito importante porque leva informação, conscientiza e ajuda a fortalecer os mecanismos de proteção à mulher. Quando a mulher conhece seus direitos e sabe onde buscar ajuda, ela se sente mais segura para romper o ciclo da violência e procurar apoio”, destacou Thaisa Cidade.
A primeira-dama participou da abertura ao lado da presidente do Fundo de Promoção Social, Adriana Pimentel, da secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Jussara Pedrosa, e de representantes da rede estadual de proteção.
Agosto Lilás terá ações durante todo o mês
A programação é coordenada pelo Governo do Amazonas, por meio da Sejusc, e prevê atividades ao longo de agosto destinadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Estão previstas ações itinerantes, palestras educativas e atividades de conscientização para divulgar os direitos das mulheres e os serviços disponíveis para denúncia, acolhimento e atendimento especializado.
Jussara Pedrosa ressaltou durante o evento que o enfrentamento à violência exige mobilização permanente da sociedade e fortalecimento da rede de atendimento.
Rede realizou mais de 5 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência
A abertura do Agosto Lilás ocorre em meio ao aumento da procura pelos serviços especializados no Amazonas.
Segundo dados divulgados pelo Governo do Estado, somente no primeiro semestre de 2026 foram realizados 6.795 atendimentos técnicos pela rede.
Desse total, 5.150 foram atendimentos especializados a mulheres em situação de violência doméstica, número 10,9% superior aos 4.643 registrados no mesmo período de 2025.
Também houve aumento no número de mulheres que precisaram recorrer ao acolhimento emergencial da Casa Abrigo Antônia Nascimento Priante (Caanp).
O serviço, que funciona em endereço sigiloso para preservar a segurança das vítimas, passou de 18 acolhimentos no primeiro semestre de 2025 para 27 no mesmo período de 2026, crescimento de 50%.
Amazonas registra queda nos feminicídios
Outro dado apresentado durante a campanha aponta redução dos feminicídios no estado.
Conforme os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 citados pelo Governo do Amazonas, os registros passaram de 29 para 20 casos no período avaliado, uma redução de 31,7%.
Em Manaus, segundo os mesmos dados apresentados pelo governo, a diminuição chegou a 47%.
Apesar da redução, a campanha reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa permanecer como uma ação contínua, especialmente diante da demanda pelos serviços especializados.
Lei Maria da Penha chega aos 20 anos
A abertura da programação ocorreu exatamente na data que marca duas décadas da sanção da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha.
A legislação estabeleceu mecanismos específicos para prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar contra a mulher e reconhece diferentes formas de violência, entre elas física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
A lei também consolidou instrumentos de proteção às vítimas, como as Medidas Protetivas de Urgência.
Ao destacar os 20 anos da legislação durante o Agosto Lilás, Thaisa Cidade reforçou que, além da existência dos instrumentos legais, é necessário fazer com que a informação chegue às mulheres para que elas conheçam seus direitos e saibam onde procurar atendimento.







