
Após três anos de espera por uma solução da Prefeitura de Manicoré, moradores da comunidade de Curuçá decidiram fazer aquilo que, segundo eles, deveria ter sido responsabilidade do poder público: garantir um espaço para que as crianças pudessem estudar. A situação da escola municipal, que permanece sem telhado desde que foi atingida por um forte temporal, deverá ser levada ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
O caso expõe o cenário de abandono enfrentado pela comunidade rural, localizada a cerca de duas horas de voadeira da sede do município. Segundo relatos dos moradores, apesar dos sucessivos pedidos encaminhados à administração municipal, nenhuma obra de recuperação foi iniciada desde que a cobertura da escola foi destruída.
Sem condições de utilizar o prédio, alunos chegaram a ficar longos períodos sem aulas. Diante da ausência de providências da prefeitura, a própria comunidade organizou um mutirão para adaptar a igreja local e transformá-la em sala de aula, garantindo a continuidade do ensino para cerca de 30 estudantes matriculados.
Enquanto isso, o prédio da escola continua se deteriorando. Sem cobertura, a estrutura ficou completamente exposta à chuva e ao sol, comprometendo o piso e acelerando a degradação do imóvel público. Hoje, segundo moradores, restam praticamente apenas as paredes da unidade escolar.
A situação foi denunciada pelo presidente da Frente da Renovação Manicoreense (FRERMAN), Efraim Lagos, que registrou imagens do local e classificou o cenário como um retrato do abandono da educação na zona rural de Manicoré.
De acordo com ele, a comunidade tentou diversas vezes sensibilizar a Prefeitura de Manicoré para recuperar a escola, mas não obteve resposta efetiva. A denúncia deverá ser formalizada junto ao Ministério Público, que poderá apurar eventual omissão da administração municipal diante das condições da unidade de ensino.
A situação chama atenção porque o prefeito Lúcio Flávio do Rosário é engenheiro e, segundo os denunciantes, mesmo possuindo conhecimento técnico e sendo responsável pela gestão das obras públicas do município, a recuperação da escola não foi executada durante os últimos três anos.
Agora, a expectativa dos moradores é que a atuação dos órgãos de fiscalização pressione o município a restaurar definitivamente a escola, garantindo um ambiente adequado para os estudantes da comunidade de Curuçá.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Manicoré. Caso a administração municipal encaminhe esclarecimentos sobre a situação da escola ou informe cronograma de recuperação da unidade, esta matéria será atualizada.







